Criador de Eternal Darkness critica NVIDIA DLSS 5 e diz que tecnologia foi um erro

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O anúncio do NVIDIA DLSS 5 durante a GTC 2026 continua gerando discussões entre desenvolvedores e criadores de mods poucos dias após sua apresentação.

A tecnologia dividiu opiniões dentro da indústria, e novas reações seguem surgindo. Após a publicação de comentários do criador do RTGI, Pascal Gilcher, uma nova análise veio do veterano da indústria Denis Dyack.

O desenvolvedor é conhecido por trabalhos como Blood Omen: Legacy of Kain e Eternal Darkness: Sanity's Requiem, e demonstrou forte crítica ao DLSS 5 durante entrevista que será publicada integralmente em breve.

Segundo Dyack, a revelação do DLSS 5 foi um erro e a tecnologia precisaria ser repensada desde o início. Na avaliação dele, a solução atual vai além de melhorar a aparência dos jogos e passa a interferir diretamente na direção artística.

Ele também citou problemas como artefatos visuais e outras questões relacionadas à arte gerada por inteligência artificial.

O desenvolvedor afirmou ainda que a indústria de jogos AAA já enfrenta dificuldades, principalmente por causa dos altos custos de produção. Para ele, o principal diferencial desses jogos sempre foi o visual mais elaborado e o alto nível de produção.

Caso o DLSS 5 seja adotado de forma ampla, Dyack acredita que essa vantagem pode diminuir, reduzindo a distância visual entre jogos de grande orçamento e títulos independentes. Na visão dele, isso pode acelerar uma crise já existente no desenvolvimento de jogos AAA.

Durante a entrevista, Dyack também comentou sobre o uso de inteligência artificial na indústria de games. Apesar das críticas ao DLSS 5, ele deixou claro que não é contra a IA.

O desenvolvedor afirmou que a tecnologia está sendo supervalorizada e deveria ser utilizada para tarefas que humanos não conseguem executar, em vez de substituir profissionais.

Dyack explicou que possui experiência com inteligência artificial desde os anos 1990, quando utilizou uma rede neural em um jogo durante sua tese de mestrado em Ciência da Computação, em 1992.

Para ele, a IA deve funcionar como ferramenta, não como substituição de pessoas. Ele também disse que empresas que demitem funcionários com base no uso de IA podem se arrepender no futuro, já que, segundo ele, não é possível finalizar um jogo de qualidade apenas com inteligência artificial.

O desenvolvedor também criticou a ideia de que a IA reduziria custos. Na avaliação dele, tecnologias costumam aumentar a produtividade, mas também exigem mais tempo e mais profissionais.

Por isso, ele considera equivocada a decisão de reduzir equipes com base no uso de inteligência artificial. Outro ponto abordado foi a declaração de Peter Moore, que disse recentemente que todos os estúdios acabarão utilizando IA de alguma forma.

Dyack respondeu que isso já acontece atualmente. Ele citou ferramentas comuns da indústria, como compiladores, motores gráficos e softwares de edição, que já utilizam inteligência artificial há anos.

Como exemplo, mencionou o uso do DaVinci Resolve, que possui diversos recursos baseados em IA. Na visão de Dyack, o debate principal não deveria ser se a IA será usada, mas sim como ela será aplicada.

Ele acredita que a inteligência artificial terá maior utilidade em tarefas que envolvem análise de grandes volumes de dados ou atividades que humanos não conseguem executar com facilidade. Já a tentativa de substituir o trabalho criativo humano, segundo ele, tende a ter resultados limitados.

A entrevista completa com Denis Dyack deve ser publicada nos próximos dias e também abordará seu próximo jogo, Deadhaus Sonata, além de outros temas importantes da indústria. Enquanto isso, novas opiniões sobre o DLSS 5 continuam surgindo após o anúncio da NVIDIA.

As críticas de Denis Dyack mostram que o DLSS 5 da NVIDIA gerou preocupações dentro da indústria de jogos, principalmente em relação ao impacto na direção artística e no modelo de produção dos títulos AAA.

Ao mesmo tempo, o desenvolvedor defende que a inteligência artificial deve ser usada como ferramenta de apoio, não como substituição de profissionais.

O debate indica que a adoção de IA nos games ainda está em fase de adaptação e pode gerar mudanças importantes na forma como os jogos são desenvolvidos.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.