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Alta nos preços e baixa procura devem derrubar vendas de placas-mãe em 2026

Preços de peças de PC continuam subindo, enquanto a procura desacelera e fabricantes priorizam hardware para inteligência artificial.
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Os envios de placas-mãe devem cair bastante em 2026, enquanto os preços das peças para PC continuam subindo e o interesse dos consumidores segue em baixa.

Os fabricantes de placas-mãe devem enviar vários milhões de unidades a menos em comparação com o ano passado, já que a procura por hardware de PC continua desacelerando.

Os preços das peças para computador estão em níveis muito altos. Os produtos mais afetados são memórias, placas de vídeo e armazenamento.

Os processadores também começaram a ficar mais caros com o avanço da demanda por inteligência artificial, que parece crescer sem freio.

E não é só questão de preço, várias peças também estão difíceis de encontrar. O principal motivo é que os fabricantes estão direcionando boa parte da produção para hardware voltado à IA.

Empresas de placas de vídeo estão priorizando GPUs para inteligência artificial, fabricantes de CPUs focam chips para IA, enquanto o setor de memórias DRAM e NAND enfrenta limitações por causa da demanda maior do que a oferta.

No fim, o PC gamer tradicional ficou meio esquecido na fila. Muitos consumidores, incluindo jogadores, também não estão animados para atualizar seus computadores neste momento. Um dos principais motivos é a falta de novidades no mercado de placas de vídeo.

A série NVIDIA RTX 50 SUPER foi adiada — ou possivelmente cancelada, segundo rumores — e as futuras RTX 60 também teriam sido empurradas para depois. Desde o lançamento da RTX 5050, em junho do ano passado, a NVIDIA tem focado mais em atualizações de software.

No meio desse cenário, os fabricantes de placas-mãe também sentem o impacto. Segundo o DigiTimes, a ASUS tenta manter seus envios acima de 10 milhões de unidades, contra 15 milhões enviados no ano passado.

Já MSI e Gigabyte registraram queda para 8,4 milhões e 11,5 milhões de unidades, respectivamente, ante 11 milhões e 8,5 milhões no período anterior. Isso representa uma queda de cerca de 25% nos envios das duas marcas.

Segundo fontes da cadeia de suprimentos citadas pelo DigiTimes, mesmo com a queda nas vendas de placas-mãe e placas de vídeo, os servidores com foco em IA viraram a principal fonte de crescimento de receita para ASUS, Gigabyte e ASRock.

Isso ajuda a compensar a redução nos lucros do mercado tradicional de PCs, mantendo a rentabilidade das empresas em níveis estáveis.

A ASRock também deve registrar queda forte. A expectativa é que a empresa envie cerca de 2,7 milhões de placas-mãe, mais de 30% abaixo das 4,3 milhões do ano passado.

Caso a ASUS fique abaixo da marca de 10 milhões de unidades enviadas, o cenário pode ser pior do que durante a crise financeira global e a pandemia de COVID-19. Para complicar, os custos de produção também aumentaram, e as placas-mãe devem ficar entre 10% e 20% mais caras.

Com isso, alguns fabricantes estão reduzindo especificações e simplificando o design dos produtos para tentar equilibrar os custos. Traduzindo, pagar mais para talvez receber menos virou tendência no setor.

Mesmo com a queda no mercado de PCs montados por usuários e entusiastas, ASUS, ASRock e Gigabyte devem compensar parte das perdas com o setor de inteligência artificial, que tende a virar a principal fonte de receita dessas empresas em 2026 e nos próximos anos.

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