Durante uma apresentação de estratégia corporativa ligada aos resultados financeiros, o CEO da Sony, Hiroki Totoki, e o CEO do PlayStation, Hideaki Nishino, divulgaram detalhes sobre a nova estratégia baseada em inteligência artificial para o PlayStation Studios.
Junto do relatório financeiro, a Sony apresentou uma estratégia ampla de IA generativa onde a inteligência artificial deve complementar a criatividade humana, não substituir profissionais. Durante a apresentação dos resultados do ano fiscal de 2025, Hiroki Totoki comentou:
"A criatividade humana deve continuar no centro. A IA é uma ferramenta poderosa, mas não substitui artistas ou criadores. Ela amplia a imaginação humana e cria novas possibilidades."
A Sony Pictures já investiu mais de US$ 50 milhões em recursos de IA voltados para planejamento de produção, proteção de conteúdo, produtividade corporativa, análise de dados, inovação e conversão 3D.
Na cotação atual, isso representa cerca de R$ 282 milhões. Já a Sony Music trabalha em um padrão para identificar conteúdos gerados por IA, com foco em transparência para consumidores e proteção de direitos autorais em parcerias de licenciamento.
A Sony também anunciou uma iniciativa em parceria com a Bandai Namco para explorar o uso de IA generativa em produção de vídeo. Segundo as empresas, os testes já mostraram ganhos em velocidade e produtividade por pessoa.
Ao mesmo tempo, elas identificaram limitações nos modelos atuais, como falta de consistência e de controle, pontos considerados importantes para criadores.
A Sony informou que desenvolveu ajustes próprios usando dados internos para gerar resultados mais confiáveis e próximos do estilo esperado, com custos viáveis para uso comercial.
Mas a parte mais ligada aos games apareceu na fala de Hideaki Nishino, que explicou como a IA já está sendo usada nos estúdios internos do PlayStation.
Segundo o executivo, as ferramentas já aparecem em jogos lançados, embora ele não tenha citado quais títulos utilizam a tecnologia.
O Mockingbird é uma ferramenta interna que cria animações faciais a partir de captura de performance em menos tempo que os métodos tradicionais. A tecnologia já foi adotada pela Naughty Dog e pela San Diego Studio, inclusive em jogos já lançados.
Como o San Diego Studio lançou recentemente MLB The Show 26, existe a possibilidade de o jogo ter sido o primeiro projeto publicado pela Sony com uso da ferramenta.
Outra tecnologia de IA para animação de cabelo transforma vídeos de penteados reais em modelos 3D detalhados fio por fio.
Isso reduz uma das etapas mais demoradas na criação de personagens. Quem já tentou ajustar cabelo em software 3D sabe que a paciência acaba rápido.
A automação nos estúdios do PlayStation também inclui tarefas repetitivas, produtividade em engenharia de software, aceleração de testes de qualidade e modelagem 3D. Hideaki Nishino comentou:
"Nosso objetivo continua sendo ser o melhor lugar para jogar e publicar jogos. Vemos a IA como uma ferramenta importante para ajudar nessa missão."
A Sony pode ter se tornado a maior publicadora de jogos a adotar abertamente ferramentas de IA no desenvolvimento de games.
O tema ganhou ainda mais espaço na indústria depois da reação negativa envolvendo a Larian Studios, quando a empresa revelou como estava usando IA em seu próximo jogo da franquia Divinity.
Depois disso, o estúdio informou que não vai usar artes conceituais feitas por IA durante o desenvolvimento do jogo, mas continuará utilizando a tecnologia em outras áreas.
Foi uma posição parecida com a adotada pela CAPCOM no fim de março. No momento, desenvolvedoras e publicadoras seguem buscando formas de acelerar processos internos, e as ferramentas de IA continuam sendo vistas como uma opção para isso.
