A Samsung iniciou uma série de cortes emergenciais em várias áreas do negócio por causa do aumento no custo dos chips de memória e dos problemas logísticos ligados ao conflito no Irã.
Esse cenário vem afetando diretamente a operação da empresa, principalmente a divisão mobile, conhecida como MX, que agora tem dificuldades para manter produtos considerados mais caros e de nicho, como o Galaxy Z TriFold.
A área MX, responsável pelos celulares da marca, tenta evitar prejuízo no trimestre atual. A situação piorou após a interrupção da produção do Galaxy Z TriFold apenas três meses após o lançamento.
A decisão chama atenção porque o ciclo de vida do produto foi bem mais curto do que o esperado, mesmo levando em conta que seria um modelo com vendas limitadas.
Dias antes, já havia informações sobre tensão interna dentro da empresa, atingindo não só a divisão mobile, mas também setores de TVs e eletrodomésticos.
Praticamente toda a unidade de experiência de dispositivos, chamada DX, passa por um momento financeiro difícil, pressionada pelo encarecimento dos chips e pelos impactos logísticos recentes.
Como parte das medidas para reduzir custos, executivos da empresa tiveram mudanças nas regras de viagem. Antes, até profissionais abaixo do nível de vice-presidente podiam viajar de classe executiva em voos internacionais. Agora, todos precisam usar classe econômica.
Os números ajudam a entender o tamanho do problema. Estimativas de mercado indicam que a margem operacional da divisão MX deve cair para pouco mais de 3% no primeiro trimestre de 2026 e pode chegar a cerca de 2% no segundo trimestre.
Para comparação, no mesmo período de 2025, essa margem foi de 11%. Há ainda a possibilidade de o resultado atual ficar próximo de 1%, segundo fontes internas. Outro ponto de pressão vem da divisão de semicondutores da própria Samsung, a DS.
A área não teria fechado um contrato de longo prazo com condições mais favoráveis para fornecimento de memória LPDDR5X, usada na linha Galaxy S26. Isso aumentou os custos da divisão mobile.
Na tentativa de equilibrar as contas, a Samsung também reduziu a margem de lucro dos distribuidores e incentivou mais vendas diretas ao consumidor.
A reação foi imediata: distribuidores, principalmente em Dubai, iniciaram uma paralisação e passaram a adotar práticas que afetaram a estratégia da empresa.
Entre elas, o descumprimento de datas de embargo, o que levou unidades do Galaxy S26 Ultra a aparecerem no mercado paralelo antes do anúncio oficial, prejudicando o evento Galaxy Unpacked. O caso do Galaxy Z TriFold mostra bem o momento atual da empresa.
A produção do modelo foi encerrada rapidamente, indicando que a Samsung não consegue mais direcionar recursos caros, como memória e processadores, para produtos com retorno financeiro baixo.
Além disso, o cenário global do mercado de smartphones sugere que modelos com três dobras podem demorar a aparecer novamente.
A Samsung está passando por um período de forte pressão financeira na área de celulares, com queda de margem, aumento de custos e conflitos com parceiros.
As decisões recentes mostram uma mudança de foco, priorizando produtos com maior retorno e reduzindo investimentos em dispositivos mais experimentais.








