Microsoft anuncia DirectX com foco em IA para reduzir travamentos em jogos

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A Microsoft divulgou duas novidades durante a GDC 2026 que apontam os próximos passos do DirectX no Windows. As mudanças envolvem o uso de aprendizado de máquina para gráficos e uma nova forma de entregar shaders que reduz travamentos e tempo de carregamento em jogos.

O uso de Machine Learning, também chamado de ML, passa a ter papel central na evolução dos gráficos e do desempenho. A empresa explicou que está integrando essas técnicas diretamente ao DirectX para ampliar as possibilidades dos jogos nos próximos anos.

A primeira novidade ligada ao ML aparece com os Cooperative Vectors no Shader Model 6.9, já incluídos no Agility SDK 1.619. Esse recurso abre caminho para técnicas como compressão de textura neural e cache de iluminação com redes neurais.

NVIDIA RTX

A NVIDIA já oferece suporte com a arquitetura Blackwell, enquanto a AMD trabalha para incluir compatibilidade em futuras gerações.

Com o crescimento do uso de ML, tarefas como redução de ruído e upscale temporal passaram a exigir operações matemáticas mais complexas.

Para dar conta disso, a Microsoft criou o DirectX Linear Algebra, um sistema que reúne cálculos com vetores e matrizes em um único modelo.

pipeline de jogos de shaders Directx

Isso dá aos desenvolvedores controle direto sobre os cálculos, o fluxo de dados e a execução dentro dos shaders. Outra adição é o DirectX Compute Graph Compiler, uma API que executa modelos completos de ML com desempenho próximo ao nativo da GPU.

O recurso integra ferramentas como o PIX, permite usar modelos completos sem reescrever shaders e automatiza otimizações como uso de memória e combinação de operações.

Além disso, mantém desempenho consistente entre diferentes fabricantes de hardware, como Intel e Qualcomm. Essas tecnologias devem chegar em versão de testes: o Linear Algebra em abril e o Compute Graph Compiler no meio do ano.

Shaders compilados pela Microsoft

Outro ponto apresentado foi o Advanced Shader Delivery, que busca resolver um problema antigo dos jogos no PC: a compilação de shaders durante a jogatina. Esse processo costuma causar travamentos e demora no carregamento.

A proposta é que o jogador possa baixar shaders já compilados de acordo com o seu hardware antes de iniciar o jogo. Esse sistema usa duas novas APIs.

A App Identity API padroniza a identificação do aplicativo junto ao sistema gráfico e aos drivers. Já a Stats API mostra dados sobre o desempenho do banco de shaders pré-compilados, como a taxa de acerto no cache.

Para usar o recurso, os desenvolvedores precisam integrar a coleta de dados ao motor do jogo e enviar essas informações junto com o pacote para a plataforma da Microsoft. Fabricantes como NVIDIA, Intel, AMD e Qualcomm confirmaram suporte à tecnologia.

A NVIDIA informou que pretende liberar compatibilidade para placas GeForce RTX ainda em 2026, enquanto as demais empresas trabalham para expandir o suporte em seus produtos.

Por fim, a Microsoft também adiantou detalhes do DXR 2.0, nova versão do DirectX Raytracing. O foco está no suporte ao Shader Model 6.10 e em recursos como Opacity Micromaps.

Para que um dispositivo seja totalmente compatível, será necessário atender a todos esses requisitos, apesar de alguns recursos poderem funcionar em hardwares atuais por meio de atualização de driver.

A previsão inicial é que o DXR 2.0 comece a aparecer em versão de testes no fim do verão de 2026. A especificação foi divulgada antes do lançamento para alinhar o desenvolvimento entre os fabricantes de hardware.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.