A recuperação recente da Intel ganhou força com o CEO Lip-Bu Tan, que reorganizou a empresa e colocou a marca novamente no centro das conversas sobre tecnologia.
Ganhar apoio de Donald Trump e Elon Musk foi só o começo. A próxima fase da Intel depende da estratégia de "liderança com execução" adotada por Lip-Bu Tan
O avanço da Intel não aconteceu de uma hora para outra. Há cerca de um ano, as ações da empresa passavam por um momento ruim, enquanto a companhia enfrentava problemas internos e externos ao mesmo tempo.
Parte da recuperação começou ainda na gestão do ex-CEO Pat Gelsinger, com mudanças na divisão de fundição de chips e um novo planejamento de longo prazo.
President Trump posts on TruthSocial:
Intel Stock continues to rise. I’m very proud of that Company in that I am responsible for making the United States of America over 30 Billion Dollars in the last 90 days on that stock alone.
There are others that, likewise, I have been… pic.twitter.com/UHeuiBHlmT
— Donald J Trump Posts TruthSocial (@TruthTrumpPost) April 29, 2026
Lip-Bu Tan manteve esse caminho e acelerou a execução das metas, fazendo a Intel voltar aos trilhos mais rápido do que muita gente esperava. Um dos fatores por trás desse avanço foi o apoio do governo dos Estados Unidos e do presidente Donald Trump.
O governo americano é o terceiro maior acionista da Intel e possui cerca de 10% da empresa, participação avaliada em aproximadamente US$ 40 bilhões no início deste mês — algo perto de R$ 225 bilhões na cotação atual.
Trump continua dizendo que tem orgulho da empresa e recentemente comentou que os americanos fizeram um bom investimento em companhias como a Intel. A política "Made in USA" da Intel também tem peso nesse cenário.
JUST IN: 🇺🇸 US government says it is up $40,000,000,000 on its 10% ownership stake in Intel $INTC. pic.twitter.com/dbiyKLhzr9
— Watcher.Guru (@WatcherGuru) May 1, 2026
A fábrica Fab 52, que entrou em operação no ano passado, ficou responsável pela produção do Panther Lake usando o processo 18A. A unidade faz parte do plano da Intel de ampliar sua produção nos Estados Unidos.
Recentemente, a empresa também fechou um contrato com o Departamento de Defesa dos EUA dentro de um programa militar de US$ 151 milhões, cerca de R$ 850 milhões.
É chip até em contrato militar agora. O processo 18A é importante para a Intel porque sua versão otimizada, chamada 18A-P, junto do futuro 14A, pode mudar o cenário da companhia.
O processo 14A já despertou o interesse de Elon Musk, que pretende usar a tecnologia no projeto TeraFab. Já o 18A-P e a tecnologia EMIB têm apoio de empresas como Apple, Google, NVIDIA e MediaTek.
"Depois que Lip-Bu Tan assumiu como CEO da Intel em março do ano passado, as ações da empresa passaram sete meses sem reagir enquanto a fabricante de chips perdia espaço no mercado de inteligência artificial. Mas, após criar relações com algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo e conquistar o apoio do presidente Donald Trump, Tan começou seu segundo ano em uma situação bem melhor. Apple e Tesla demonstraram interesse na produção da empresa. Os processadores da Intel voltaram a ter demanda, e o crescimento do otimismo em torno da inteligência artificial levou as ações da companhia a níveis recordes." — Bloomberg
Mas é justamente aí que aparece a próxima oportunidade da Intel. Até agora, boa parte dos nomes ligados às fábricas da empresa ainda aparece como clientes "em potencial" ou apenas rumores.
Não existe confirmação oficial em vários casos, mas algo parecido aconteceu com Elon Musk no ano passado. Em 2025, a Tesla era apenas uma possibilidade. Neste ano, Intel e Tesla fecharam um acordo oficial.
Lip-Bu Tan evitou divulgar detalhes sobre clientes, mas comentou que prefere deixar que as próprias empresas anunciem seus planos por questão de respeito comercial.
Ao mesmo tempo, a Intel também precisa mostrar resultados internos. A empresa ainda tem alguns problemas, mas vem acelerando a recuperação.
O crescimento da procura por CPUs voltadas para inteligência artificial aumentou as vendas da linha Xeon. No ano passado, a companhia chegou a vender toda sua capacidade de produção de wafers após limitações de oferta causadas pela alta demanda.
No mercado de computadores, o Panther Lake também teve bom resultado. A Intel está ampliando a produção dos chips Core Ultra Series 3 e da nova linha Core Series 3 "Wildcat Lake".
Além disso, surgiram informações de que a empresa prepara um novo planejamento de produtos para os próximos dois anos, incluindo processadores para desktops e notebooks.
Segundo fontes ligadas ao setor, a Intel atual funciona de forma diferente da antiga estrutura da companhia e os próximos produtos seguem dentro do cronograma.
A Intel conseguiu mudar rapidamente de cenário sob o comando de Lip-Bu Tan. A estratégia focada em execução, junto do apoio do governo dos Estados Unidos, ajudou a empresa a recuperar espaço no mercado de chips e inteligência artificial.
Entre os principais avanços estão as novas fábricas nos EUA, como a Fab 52, os contratos militares, os processos 18A-P e 14A, além do interesse de empresas como Apple, Google, NVIDIA, MediaTek e do acordo confirmado com a Tesla de Elon Musk.
A companhia também registrou crescimento na procura por CPUs Xeon voltadas para IA, vendeu toda sua capacidade de wafers e ampliou a produção das linhas Core Ultra Series 3 e Wildcat Lake.
O mercado reagiu positivamente. As ações da Intel atingiram níveis recordes em meio ao aumento do interesse por inteligência artificial e pelos serviços de fabricação da empresa.
Mesmo com vários clientes ainda não anunciados oficialmente, a Intel começa a transformar promessas em contratos reais e tenta recuperar espaço na produção de chips nos Estados Unidos.
