Ashes of Creation entra em colapso 52 dias após estreia no Steam

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O MMORPG de fantasia Ashes of Creation, criado pela Intrepid Studios, entrou em colapso pouco mais de 50 dias após chegar ao Steam Early Access.

A situação veio à tona depois que vários funcionários começaram a atualizar seus perfis no LinkedIn como "abertos a oportunidades", indicando saídas em massa da equipe. Entre os nomes que deixaram o estúdio está Margaret Krohn, diretora de Comunicação e Marketing.

Em uma publicação no LinkedIn, ela comentou que o desfecho não foi o que esperava e que preferia guardar as partes boas da experiência, sem dar detalhes sobre o que aconteceu internamente.

Pouco depois, o fundador, CEO e diretor criativo Steven Sharif publicou uma mensagem no Discord oficial do jogo. Ele afirmou que o controle da empresa deixou de estar sob sua responsabilidade e passou a ser conduzido pelo Conselho.

Segundo Sharif, o Conselho passou a direcionar decisões com as quais ele não concordava do ponto de vista ético. Por esse motivo, optou por se desligar do cargo. Após sua saída, outros membros da liderança também pediram demissão.

Em seguida, o Conselho decidiu emitir notificações com base na lei trabalhista dos Estados Unidos, conhecidas como WARN Act, iniciando um processo de demissão em massa.

Sharif declarou que não pode comentar mais detalhes por causa de questões legais em andamento, mas disse que a equipe trabalhou de boa-fé e não merecia a situação atual.

Registros públicos do estado da Califórnia mostram que o Conselho da empresa era composto apenas por Steven Sharif, listado como CEO e secretário, e por seu marido, John Moore, que aparece como diretor financeiro.

Atualização publicada em 3 de fevereiro de 2026 trouxe novas informações. O site MMORPG.com confirmou declarações feitas anteriormente pelo youtuber KiraTV sobre os bastidores do estúdio.

Segundo a reportagem, a Intrepid Studios teria sido vendida a um fundo de investimento. A ideia inicial seria demitir a maior parte dos cerca de 250 funcionários e manter aproximadamente 70 pessoas em uma equipe reduzida.

Porém, os novos proprietários teriam decidido dispensar todos os empregados. O relatório também afirma que pagamentos de salários, férias acumuladas, bônus e verbas rescisórias não estariam sendo feitos.

Ashes of Creation foi anunciado em 2016 e financiado no ano seguinte por meio do Kickstarter, arrecadando mais de US$ 3,2 milhões. Depois disso, o estúdio continuou vendendo acesso antecipado ao jogo por um longo período.

Desde o início, houve questionamentos de parte do público sobre a viabilidade do projeto, inclusive por causa do passado do fundador no setor de marketing multinível.

Mesmo assim, a equipe divulgava atualizações frequentes e o desenvolvimento seguia, ainda que de forma lenta. No fim de 2021, o projeto migrou da Unreal Engine 4 para a Unreal Engine 5.

No mês anterior ao colapso, a Intrepid decidiu lançar o jogo no Steam em acesso antecipado, mesmo ainda estando em fase alfa. A decisão gerou debate.

Sharif afirmou que o título precisava de mais retorno de jogadores e disse que dinheiro não era um problema, já que ele mesmo investia recursos próprios desde o começo. Quando chegou à plataforma, o jogo recebeu avaliação "Mista".

No momento, as análises de usuários no Steam mostram 51% de aprovação. Dados do SteamDB indicam que o pico de jogadores simultâneos foi de 31,8 mil no lançamento, número que caiu nos dias seguintes.

As estimativas de vendas variam entre 220 mil e 320 mil cópias. Isso representa uma receita bruta entre US$ 11 milhões e US$ 16 milhões. Considerando a taxa de 30% da Valve, a parte que teria ido para a Intrepid ficaria entre US$ 7,7 milhões e US$ 11,2 milhões.

Outro ponto levantado por apoiadores diz respeito à campanha original no Kickstarter. Na época, o estúdio informou que devolveria o valor integral aos apoiadores caso o jogo não fosse lançado.

Como o título foi colocado no Steam, mesmo em estado incompleto, parte da comunidade questiona se essa decisão também não teria relação com o cumprimento formal dessa promessa, que não tinha obrigação legal.

O caso de Ashes of Creation acontece em um momento difícil para o gênero MMORPG. Nos últimos anos, projetos conhecidos foram encerrados, como New World, da Amazon, e o MMO de O Senhor dos Anéis que estava em desenvolvimento.

Em entrevista ao site Wccftech, os veteranos da indústria Greg Street e Jack Emmert, que também tiveram seus novos MMOs cancelados após a NetEase retirar investimentos de seus estúdios, citaram Warframe como exemplo de caminho mais seguro para desenvolvedores ocidentais: começar com um projeto menor e expandir aos poucos.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.