Projeto Genie, do Google, derruba ações de empresas de games após reação do mercado

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O experimento mais recente de inteligência artificial do Google, chamado Project Genie, vem chamando bastante atenção de usuários e também do mercado financeiro.

A empresa descreve a ferramenta como um modelo de uso geral capaz de criar rapidamente ambientes tridimensionais com visual realista, que podem ser explorados como se fossem parte de um jogo.

Qualquer pessoa pode testar a tecnologia ao digitar um comando de texto. A interação ainda é bastante limitada, já que o usuário só consegue se movimentar pelo cenário e pular.

Mesmo com essas restrições, o resultado impressionou a ponto de provocar uma queda repentina nas ações de várias empresas do setor de videogames. Parte dos investidores passou a acreditar que, em breve, jogos poderiam ser produzidos apenas com inteligência artificial.

A Unity Technologies, responsável pelo Unity Engine — uma das ferramentas de criação de jogos mais usadas no mundo, ao lado da Unreal Engine da Epic Games — registrou queda de 18,80% em um único dia.

A Epic Games não foi afetada porque é uma empresa de capital fechado. Outras desenvolvedoras e publicadoras também tiveram perdas importantes.

A Take-Two Interactive, dona de franquias como Grand Theft Auto, Red Dead Redemption, Borderlands e NBA 2K, teve baixa de quase 10%.

A CD Projekt RED, estúdio polonês conhecido por The Witcher e Cyberpunk 2077, caiu 8%. Já a Roblox Corporation teve recuo superior a 13%, o maior entre as citadas.

Empresas asiáticas como CAPCOM e Tencent quase não sentiram os efeitos. Isso pode ter ocorrido porque a movimentação do mercado aconteceu quando as bolsas da região já estavam perto do encerramento na sexta-feira.

Apesar da reação intensa, o Project Genie ainda está longe de substituir o trabalho tradicional de desenvolvimento de jogos. A tecnologia atualmente cuida da parte de renderização dos ambientes.

Todo o restante, como mecânicas, sistemas e conteúdo mais complexo, ainda precisaria ser criado por desenvolvedores. Essa visão já havia sido comentada anos atrás por Bryan Catanzaro, vice-presidente de pesquisa em deep learning aplicado da NVIDIA.

Na época, ele imaginou uma versão futura do DLSS, chamada por ele de "DLSS 10", que poderia gerar todos os elementos visuais de um jogo por meio de renderização neural baseada em IA, funcionando em conjunto com um motor gráfico para dar a sensação de um jogo completo.

Ainda que esse cenário possa se tornar mais próximo com o tempo, a participação de profissionais da área continua necessária. Outro ponto que levanta debate é o risco de violação de direitos autorais.

Usuários já recriaram mundos virtuais inspirados em Sonic, da SEGA, e The Legend of Zelda, da Nintendo, usando o Project Genie.

Em um possível lançamento comercial, o Google teria que adotar regras rígidas para impedir que a ferramenta reproduza diretamente conteúdos protegidos por direitos autorais.

Mesmo assim, existe a possibilidade de que pessoas criem cenários parecidos o suficiente para evitar bloqueios automáticos. Em 4 de fevereiro de 2026, o experimento foi analisado por Joost van Dreunen, fundador da antiga SuperData.

Ele reconheceu o avanço na geração de conteúdo, mas disse que a tecnologia não substitui a visão criativa de um desenvolvedor de jogos.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.