A Apple entrou em 2026 com estoques mais baixos e menos margem de manobra na cadeia de suprimentos. A informação foi confirmada durante a divulgação dos resultados financeiros do primeiro trimestre fiscal de 2026.
A empresa já começa a sentir os efeitos da falta de memória no mercado e das limitações na produção de chips em processos avançados da TSMC.
A forte corrida por soluções de inteligência artificial tem pressionado o fornecimento global de memória. O uso de HBM em GPUs e chips dedicados a IA aumentou de forma acelerada, reduzindo a oferta disponível para outras empresas.
Nem mesmo a Apple ficou fora desse cenário. A companhia conseguiu garantir fornecimento de memória NAND até o primeiro trimestre de 2026.
Ainda assim, a KIOXIA deve elevar os preços após a assinatura de um contrato de longo prazo. No caso da memória DRAM, a Apple assegurou fornecimento apenas até a primeira metade de 2026.
Segundo o analista Ming-Chi Kuo, da TF Securities, a Apple poderia ampliar participação de mercado ao aceitar pagar mais caro pela memória e reduzir parte de suas margens.
O próprio analista afirmou que isso não é simples, já que a empresa agora precisa negociar preços de memória a cada trimestre, e não mais duas vezes por ano.
Além da memória, a Apple também enfrenta limites na produção de chips avançados. As linhas de encapsulamento avançado da TSMC viraram outro ponto de pressão, assim como a fabricação no processo de 3 nanômetros, usado nos chips A19 e M5.
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A empresa planeja adotar o encapsulamento WMCM nos futuros chips A20. Esse modelo possibilita integrar vários componentes separados, como CPU, GPU e Neural Engine, em um único pacote.
Com isso, diferentes combinações de componentes podem ser criadas dentro do mesmo conjunto. Para os chips M5 Pro e M5 Max, a Apple deve usar a tecnologia SoIC-MH da TSMC.
O SoIC é uma solução de empilhamento 3D que coloca múltiplos chips na horizontal e na vertical em uma estrutura semelhante a um único SoC.
Durante a teleconferência de resultados, executivos da Apple foram questionados sobre a falta de memória e sobre as restrições nos processos avançados.
Tim Cook afirmou que a empresa encerrou o trimestre de dezembro com estoques enxutos nos canais de venda por causa da demanda muito alta.
Segundo ele, a Apple está operando em modo de ajuste da cadeia de suprimentos para atender o volume de pedidos. Cook disse que a empresa enfrenta limitações e que ainda é difícil prever quando oferta e demanda vão se equilibrar.
Ele explicou que as restrições estão ligadas à disponibilidade dos processos avançados usados na fabricação dos chips da companhia. Também afirmou que há menos flexibilidade na cadeia de suprimentos do que o normal, em parte por causa do aumento na procura.
De acordo com o executivo, a memória teve efeito pequeno na margem bruta do trimestre encerrado em dezembro. Para o segundo trimestre fiscal, o impacto deve ser maior.
A previsão divulgada pela empresa indica margem bruta entre 48% e 49%, já considerando esse cenário. Após esse período, a Apple não divulga projeções, mas observa alta nos preços de memória no mercado.
Cook declarou que a empresa avalia diferentes caminhos para lidar com a situação. Ele também afirmou que o processo de 3 nanômetros está limitando o fornecimento no segundo trimestre.
Isso acontece porque a demanda no primeiro trimestre foi muito elevada, pressionando a capacidade produtiva da TSMC nesse nó de fabricação.
Basicamente, a Apple admite que as restrições de memória e de produção em 3nm devem afetar suas margens a partir deste trimestre.
Ao mesmo tempo, a empresa afirma que já organizou o fornecimento necessário de memória e que pode adotar medidas para garantir os componentes.
Mesmo assim, o fato de iniciar o ano com estoques reduzidos aumenta um pouco sua exposição a novos problemas na cadeia global de suprimentos.








