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Queda da Epic Games é inevitável após crise em Fortnite, diz analista

Fortnite enfrenta crise e Epic Games pode entrar em declínio.
Imagem de: Fortnite

Há alguns anos, e até em um período mais recente, a ideia era que o Fortnite seguiria ativo enquanto existissem videogames, sem risco real de perda de relevância da Epic Games, dona de um dos maiores jogos do mundo.

Ainda há muitas pessoas que mantêm essa visão, mas a recente demissão em massa na Epic Games, com mais de 1.000 desenvolvedores afetados após uma queda no engajamento do Fortnite e outros fatores, mudou parte dessa percepção sobre a estabilidade do jogo.

Nesse cenário, o analista Joost van Dreunen, cofundador de uma das principais empresas de análise do setor antes de vender o negócio para a Nielsen e atual autor da newsletter SuperJoost Playlist, comentou em seu último texto sobre o momento da Epic Games e os motivos que, segundo ele, levam a empresa a um processo de queda.

De forma resumida, jogos como Fortnite, conhecidos como "jogos para sempre", não teriam duração ilimitada.

"Jogos eternos, ao que parece, não são", escreveu Dreunen.

Ele compara com o Roblox, que tem a vantagem de contar com conteúdo criado pelos usuários, gerando cultura, com milhões de jogadores jovens levando essas experiências para outras áreas do dia a dia.

Mesmo o Roblox, segundo Dreunen, não tem estabilidade financeira e pode ter dificuldades se não encontrar um caminho para rentabilidade.

A situação da Epic seria resultado de diferentes fatores, todos ligados ao Fortnite, com um cenário visto como parte de um processo de queda. O analista aponta três pontos principais.

O primeiro é o avanço do poder das plataformas digitais, que aumentaram seus lucros em cerca de 191% entre 2015 e 2025, enquanto as empresas de jogos registraram aumento de 98% no mesmo período.

Esse é um dos pontos de tensão nas ações da Epic Games contra Apple e Google, que tiveram resultados variados e geraram custos altos em processos judiciais, além da perda de receita enquanto o Fortnite ficou fora de algumas lojas de aplicativos móveis.

O segundo ponto é o aumento dos custos no mercado interno dos Estados Unidos, situação que atinge toda a indústria de games.

Dados da Circana, apresentados no Summer Game Fest 2025, mostram que 69% dos entrevistados acreditam que tarifas sobem os preços, e 30% disseram que devem reduzir gastos com jogos e entretenimento devido ao aumento do custo de itens básicos como alimentação e moradia.

Um ano depois, dados do Federal Reserve Bank de New York indicam que consumidores e empresas arcaram com cerca de 90% dos custos ligados às tarifas.

Somado a isso, consoles da Xbox, PlayStation e, segundo reportes recentes, da Nintendo também tiveram reajustes no mercado americano, o que tende a reduzir o lucro do setor, incluindo grandes empresas como a Epic Games.

O terceiro fator citado por Dreunen é o avanço da indústria em outras regiões. Enquanto os Estados Unidos concentram boa parte das demissões recentes no setor de jogos, empresas da Europa e da Ásia recebem mais investimentos e avançam em ritmo maior.

Segundo o analista, parte desse movimento está na adoção de novas tecnologias, como inteligência artificial generativa, em maior escala por empresas fora do Ocidente.

Ele aponta diferenças culturais como um dos motivos, enquanto ainda existe debate sobre o uso da IA no desenvolvimento de jogos, já que parte dos profissionais do setor não vê aplicação direta nesse processo.

Mesmo com esse cenário, Dreunen mantém uma visão de longo prazo baseada na experiência no setor e nas mudanças já observadas ao longo dos anos. Para ele, a situação da Epic Games e do Fortnite segue em observação.

"Impérios não desmoronam de uma vez", disse ele.

"Elas se esvaziam lentamente, até que um dia as paredes desabam e todos fingem surpresa. Atualmente, estamos em algum ponto intermediário desse processo."

O cenário descrito aponta que modelos de jogos como o Fortnite, passam por pressões ligadas a custos, mudanças no mercado global e dependência de plataformas digitais.

A leitura do analista indica um momento de transição no setor, com mudanças em andamento tanto nas empresas quanto na forma como o público consome jogos.

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