A longa disputa judicial entre a Epic Games e a Apple envolvendo Fortnite e a App Store, iniciada há seis anos, ganhou mais um capítulo importante.
Depois de anos de batalhas na Justiça, mudanças nas regras da App Store e discussões sobre taxas cobradas em aplicativos, Fortnite voltou ao iOS em praticamente todas as regiões do mundo.
O conflito começou quando a Epic adicionou ao Fortnite um sistema próprio de pagamentos, sem usar o modelo da Apple, que cobra até 30% sobre compras feitas dentro de aplicativos no iPhone e iPad.
A decisão acabou tirando o jogo da App Store e deu início a uma das maiores disputas da indústria de tecnologia e games dos últimos anos.
A única exceção nesse retorno global é a Austrália. Apesar de a Epic ter vencido sua disputa contra a Apple no país no ano passado, Fortnite ainda não voltou ao iOS por lá.
Em uma publicação no blog oficial, a Epic diz que a Justiça australiana considerou ilegais vários termos usados pela Apple com desenvolvedores, mas que a empresa continua aplicando essas regras.
Segundo a Epic, o objetivo agora é conseguir novas decisões judiciais que encerrem essas práticas e tragam mudanças para desenvolvedores e usuários do iOS.
Enquanto a disputa continua na Austrália, o CEO da Epic Games, Tim Sweeney, comemorou a volta de Fortnite à App Store e comentou que a empresa se prepara para a "batalha final" contra a Apple.
Fortnite is back on the App Store around the world for iPhones and iPads! 🌍 Jump in and level up today to unlock the Yeddy outfit: https://t.co/Sv7ZD0iuKn
For more, see here: https://t.co/OTxMiBNtyS pic.twitter.com/QlEWjc4Qqt
— Fortnite (@Fortnite) May 19, 2026
Como parte da campanha, a Epic também publicou uma paródia de um antigo comercial da Apple, repetindo a estratégia usada em outros momentos do processo.
Em uma publicação no X, antigo Twitter, Sweeney comentou que a Apple passou anos aplicando taxas e recursos diferentes no iOS dependendo da região, além de atrasar decisões relacionadas ao caso.
Segundo ele, a própria Apple informou à Suprema Corte dos Estados Unidos que reguladores de vários países acompanham o processo para decidir quais taxas poderão ser cobradas pela empresa em mercados fora dos EUA.
Apple has now told the Supreme Court, "Regulators around the world are watching this case to determine what commission rate Apple may charge on covered purchases in huge markets outside the United States.”
So we see this as the beginning of the end of the Apple Tax worldwide.
— Tim Sweeney (@TimSweeneyEpic) May 19, 2026
Para a Epic, isso representa "o começo do fim da taxa da Apple" no mundo todo. O texto publicado pela Epic segue a mesma linha.
A empresa diz acreditar que tribunais e governos passarão a exigir mais transparência sobre os custos e taxas da App Store.
"Continuaremos contestando as práticas anticoncorrenciais da App Store da Apple, que proíbem lojas de aplicativos alternativas e a concorrência no setor de pagamentos... É hora de os órgãos reguladores realmente aplicarem as leis para que desenvolvedores e consumidores em todo o mundo possam se beneficiar de um ecossistema de aplicativos móveis aberto e justo."
A Epic também voltou a criticar práticas da Apple ligadas à proibição de lojas alternativas e à limitação de sistemas de pagamento fora do ecossistema da App Store.
Com a disputa entrando em sua reta final, o caso também pode influenciar outros processos semelhantes na indústria.
Plataformas como Sony e Valve Corporation também enfrentam ações judiciais relacionadas às taxas de até 30% cobradas sobre transações digitais.
