A Apple deu à Intel uma "oportunidade rara" para reconstruir sua divisão de fabricação de chips, mesmo com os pedidos iniciais ainda em fase inicial, segundo o analista Ming-Chi Kuo, conhecido por acompanhar a empresa de perto.
Cerca de 80% dos pedidos da Apple ligados ao processo Intel 18A-P seriam voltados para chips de iPhone, seguindo a proporção de vendas dos dispositivos da marca.
Na semana passada, surgiram informações de que a Apple fechou um acordo preliminar com a Intel para fabricação de chips.
Os detalhes ainda não foram divulgados, mas o modelo deve seguir algo parecido com a parceria entre Apple e TSMC: a Apple desenvolve chips próprios baseados na arquitetura ARM, enquanto a fabricação fica com outra empresa.
Dentro dessa parceria inicial, a Apple pode usar o processo 18A-P da Intel nos chips M7 básicos previstos para 2027.
Além disso, o chip A21, esperado para 2028, também pode ser produzido no processo 18A-P ou no futuro 14A. A Apple já recebeu amostras do PDK da Intel para testar o processo 18A-P.
Ao mesmo tempo, a GF Securities acredita que o próximo ASIC da Apple, conhecido internamente como Baltra e previsto para 2027 ou 2028, também deve usar a tecnologia de empacotamento EMIB da Intel.
— 郭明錤|Ming-Chi Kuo (@mingchikuo) May 14, 2026
Ming-Chi Kuo comentou que cerca de 80% dos pedidos atuais da Apple feitos à Intel estão ligados aos chips de iPhone, mais especificamente ao A21.
Isso indica que apenas 20% da produção da Apple na Intel seria destinada ao chip M7 básico, acompanhando a divisão de vendas dos produtos da empresa.
O analista também comentou que os planos de produção da Apple com a Intel devem acompanhar o ciclo do processo 18A-P com testes em pequena escala ainda em 2026, expansão em 2027, crescimento contínuo em 2028 e queda em 2029.
Esse cenário indica que a Apple pode usar o processo 18A-P da Intel para fabricar o A21 em 2028, enquanto o A21 Pro seguiria com a TSMC.
Kuo também comentou que a maior parte dos pedidos de chips mais avançados da Apple ainda continuará concentrada na fabricante taiwanesa.
- Leia tambem: Intel e NVIDIA podem começar a fabricar GPUs juntas
Grande parte disso depende da capacidade da Intel de melhorar o rendimento do novo processo de fabricação. Segundo Kuo, a empresa trabalha para estabilizar a taxa de aproveitamento do 18A-P entre 50% e 60% até 2027.
Sobre o motivo da Apple voltar a negociar com a Intel, Kuo comentou que as conversas começaram antes das limitações de capacidade da TSMC nos processos mais avançados ganharem força. Isso indica que a Apple buscava uma alternativa para reduzir sua dependência de uma única fabricante.
A avaliação é que a TSMC deve direcionar cada vez mais recursos para chips voltados a inteligência artificial e computação de alto desempenho. Com isso, a Apple teria buscado outra opção enquanto ainda possui força de negociação no mercado.
Para a Intel, a parceria com a Apple pode representar uma oportunidade importante para reconstruir sua operação de fabricação de chips, embora os padrões exigidos pela empresa de Cupertino continuem bastante rígidos.
