O mercado de computadores voltou a perder força. Segundo os dados mais recentes da Counterpoint Research, os embarques de PCs caíram 4% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado.
Ao todo, foram enviados 65 milhões de unidades, interrompendo o ciclo de crescimento iniciado no primeiro trimestre de 2025.
De acordo com a pesquisa, a principal causa continua sendo a escassez de memória DRAM, que fez os preços dos componentes subirem e levou fabricantes a reajustarem o valor de seus produtos.

Escassez de memória continua pressionando o mercado
Todas as fabricantes de PCs tiveram que absorver o aumento no custo da memória por causa da oferta limitada de DRAM. Como consequência, os preços subiram em praticamente todo o portfólio de computadores.
Ao mesmo tempo, o mercado recebeu diversas plataformas baseadas nos chips Intel Core Series 3 produzidos no processo 18A, nas famílias atualizadas de processadores Ryzen da AMD e no MacBook Neo da Apple.
Ainda assim, os preços da memória DRAM mais que dobraram, reduzindo a demanda por PCs, smartphones e consoles.
Lenovo segue na liderança; ASUS e Apple crescem
Cinco fabricantes concentraram 78% do mercado de PCs no segundo trimestre de 2026. A Lenovo permaneceu na liderança com 25,6% de participação, mesmo após uma queda de 2% nos embarques em relação ao ano anterior, totalizando 16,6 milhões de unidades.
Segundo a Counterpoint Research, a escala de compras da empresa e seu relacionamento com fornecedores reduziram parte dos efeitos da escassez de memória.
A HP ficou com 20% de participação, mas registrou a maior queda entre as três líderes, com retração de 8% nos embarques.
A pesquisa aponta que a empresa tem forte presença nos segmentos de consumo e corporativo intermediário, mais sensíveis aos aumentos de preço dos componentes. A Dell apareceu na sequência, com 14,3% de participação e queda de 6% nos embarques.
O foco no mercado corporativo ajudou a reduzir os impactos vistos no segmento voltado ao consumidor, sustentando a demanda por meio dos investimentos das empresas em tecnologia.
As únicas fabricantes que apresentaram crescimento foram ASUS e Apple. A ASUS ampliou seus embarques em 4% e chegou a 7,4% de participação no mercado. Já a Apple teve alta de 13%, alcançando 10,5% de participação após o lançamento do MacBook Neo.
Segundo a Counterpoint Research, a ASUS ganhou espaço por adotar rapidamente novas arquiteturas de processadores e investir em diferentes categorias de PCs com inteligência artificial, desde a linha Vivobook até os modelos ProArt.

Preços devem continuar subindo
A expectativa é que o cenário siga difícil nos próximos meses. A previsão é de que os preços de memória e armazenamento aumentem mais de 50%.
Com isso, o mercado deve concentrar seus esforços em computadores mais caros, incluindo os chamados PCs com inteligência artificial, que entregam maior desempenho e recursos de IA executados localmente, justificando preços mais altos.
Para David Naranjo, diretor associado da Counterpoint Research, a escassez de memória deixou de ser um problema temporário de fornecimento e passou a influenciar diretamente os rumos da indústria de PCs. Segundo ele, o aumento dos custos dos componentes deve acelerar a migração para PCs premium com IA.
- Leia tambem: Intel e AMD fecham contratos de longo prazo para fornecer CPUs a empresas chinesas de IA em meio à alta de preços
Ao mesmo tempo, a demanda corporativa tende a continuar aquecida por causa das atualizações do Windows e do uso crescente de inteligência artificial, enquanto o mercado consumidor deve permanecer limitado até que os custos dos componentes diminuam.
Na avaliação do executivo, 2026 deve ser marcado pela criação de valor, e não pelo crescimento dos embarques. A expectativa é que esse ciclo dure vários anos.
Fabricantes de memória já alertaram que a escassez pode continuar por até uma década, enquanto outras projeções indicam que o próximo ano pode registrar um novo recorde de falta de memória DRAM.
Nesse cenário, a recuperação do mercado de PCs ainda não deve acontecer no curto prazo, já que boa parte da produção adicional das principais fabricantes de memória está comprometida com contratos de longo prazo firmados com empresas do setor de inteligência artificial.
