CEO da Level-5 defende uso de IA e diz que tecnologia acelera criação de jogos

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O uso de inteligência artificial generativa no desenvolvimento de jogos virou tema de debate constante na indústria e deve seguir assim por bastante tempo.

A discussão ganhou força após o The Game Awards, quando a Larian Studios recebeu críticas depois de seu CEO confirmar o uso dessa tecnologia em Divinity.

Outro caso recente envolveu o estúdio Sandfall Interactive, que perdeu um dos prêmios de Jogo do Ano com Clair Obscur: Expedition 33 após vir à tona o uso de IA generativa durante a produção.

Diante desse cenário, o CEO da Level-5, Akihiro Hino, comentou o assunto motivado pela perda do prêmio do estúdio francês.

Em uma publicação feita em sua conta oficial no X, antigo Twitter, Hino afirmou que a IA generativa gera ganhos de tempo que não podem ser ignorados.

Para ele, criar a ideia de que usar IA é algo errado pode atrapalhar de forma séria o avanço das tecnologias digitais atuais. O executivo começou esclarecendo um ponto relacionado a um dos próximos jogos da Level-5.

Segundo rumores, o estúdio estaria deixando toda a parte de programação nas mãos da IA. Hino negou essa versão e disse que tudo não passou de um mal-entendido.

Ele explicou que existe um projeto ainda não lançado com tema ligado à inteligência artificial e que, nesse caso específico, um programador comentou que a IA também estaria sendo usada para programar.

Esse exemplo foi citado apenas para ilustrar como esse tipo de cenário pode surgir no futuro, mas a informação acabou sendo interpretada de forma exagerada.

Na sequência, Hino apresentou sua visão sobre a tecnologia, tratando a IA como uma ferramenta que não pode ser ignorada pelo setor.

Ele comentou que a economia de tempo trazida pela IA tem potencial para mudar a lógica atual do desenvolvimento de jogos.

Na visão dele, isso pode levar a uma mudança de um cenário em que grandes jogos levam de cinco a dez anos para ficar prontos para outro em que lançamentos desse porte cheguem ao público a cada dois anos.

O CEO também falou que a IA muitas vezes é associada diretamente ao plágio, mas comparou a situação a outros exemplos.

Uma faca pode servir para cozinhar ou para ferir alguém, assim como um computador pode ser usado para criar jogos ou cometer crimes digitais.

Para ele, a IA pode gerar conteúdo copiado quando usada de forma errada, mas, quando bem aplicada, tem capacidade de enriquecer ainda mais o campo criativo.

Hino disse ainda que deseja ver os jogos evoluírem durante sua vida e que quer vivenciar e criar experiências que superem o padrão atual dos grandes títulos do mercado.

Segundo ele, se a ideia de que usar IA é algo negativo se espalhar, isso pode frear o desenvolvimento das tecnologias digitais modernas.

O executivo afirmou esperar que criadores e público passem a enxergar a inteligência artificial apenas como uma ferramenta usada por pessoas para criar seus trabalhos, acreditando que novas inovações tecnológicas podem impulsionar ainda mais o crescimento da indústria de jogos.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.