O uso de inteligência artificial já faz parte da rotina de muitos estúdios de jogos. Isso, porém, não mostra quanto essa tecnologia participa do desenvolvimento.
Uma pesquisa da consultoria Vivrato indica que 94% dos estúdios ouvidos usam IA em alguma etapa da produção, mas a integração ao processo completo ainda é baixa.
Adam Boyes, ex-executivo da PlayStation e da Iron Galaxy, tratou dessa diferença durante o GamesBeat Next, em São Francisco, nos Estados Unidos.
Para ele, o debate sobre IA nos jogos se concentra na pergunta errada, saber se um estúdio usa a tecnologia diz pouco sobre como ela é usada.
Uso frequente de IA, mas pouca integração à produção
Boyes fundou a Vivrato em setembro de 2024. Para produzir o relatório VAIA, a consultoria fez 101 entrevistas individuais e confidenciais com líderes e responsáveis por decisões em estúdios.
As conversas ocorreram entre abril e setembro de 2026, principalmente com empresas sediadas na América do Norte e na Europa. Os principais resultados foram:
- 97% dos líderes já usaram IA de alguma forma.
- 94% usam a tecnologia em pelo menos uma das nove etapas de produção avaliadas.
- 52% deram nota 3 ou menos, em uma escala de 0 a 10, para a integração da IA ao processo completo de desenvolvimento.
A mediana, ou valor central das notas, ficou em 3 de 10. Os números mostram uma diferença entre usar IA em tarefas pontuais e integrar a tecnologia a várias etapas da produção.
Por que o selo feito com IA informa pouco
Boyes relaciona esses dados à posição de Tim Sweeney, CEO da Epic Games. Para Sweeney, os avisos de conteúdo feito com IA exigidos pelo Steam fazem pouco sentido, já que quase todos os jogos terão algum uso da tecnologia no desenvolvimento.
Em uma publicação no LinkedIn, Boyes escreveu:
"O CEO da Epic Games, Tim Sweeney, considera que os selos de feito com IA fazem pouco sentido porque acredita que quase todos os jogos serão feitos com IA. Nossa pesquisa indica que ele está certo sobre essa tendência. Em 2026, tivemos 101 conversas confidenciais com líderes de estúdios sobre como eles realmente usam IA no desenvolvimento de jogos. A maioria faz testes em algumas etapas da produção. Um grupo pequeno usa a tecnologia de forma mais ampla. Essa diferença merece atenção no debate. Perguntar se alguém já usou IA diz muito pouco sobre onde ela ajuda, o que as equipes aprendem ou como os líderes lidam com as reações fortes ao assunto. O objetivo é encontrar o nível de uso adequado para cada estúdio. Essas conversas nos deram uma visão mais clara do que os estúdios estão testando, onde encontram dificuldades e do que precisam para avançar."
Se 94% dos estúdios já se encaixam na descrição de feito com IA, o selo perde utilidade para distinguir os tipos de uso.
Hoje, um estúdio que usa um modelo de linguagem para planejar tarefas pode receber a mesma identificação de outro que gera imagens de personagens presentes na versão final do jogo.
O caso de PUBG DED.NET mostra essa limitação. O aviso no Steam informa apenas que a equipe usa ferramentas de IA para ajudar a desenvolver parte do conteúdo do jogo.
Segundo a equipe, esse uso se limita a imagens provisórias, que serão totalmente substituídas até o lançamento.

Programação concentra o maior uso de IA
A etapa em que a IA é usada ajuda a entender melhor sua participação no desenvolvimento. No levantamento, programação e engenharia aparecem na frente:
- Programação e engenharia: 86%.
- Produtividade geral: 83%.
- Conceitos iniciais e pré-produção: 79%.
- Arte, elementos visuais e animação: 60%.
- Narrativa e criação do universo do jogo: 55%.
As áreas mais ligadas ao conteúdo que os jogadores veem ficaram abaixo das tarefas de programação e produtividade. Análises, dados de jogadores e formas de gerar receita ocuparam as últimas posições.
Estúdios europeus têm maior integração de IA
A pesquisa também encontrou diferenças entre as regiões. Os líderes europeus deram nota 4,2 de 10 para a integração da IA ao processo de produção, ante 3,5 na América do Norte.
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Na área de arte, elementos visuais e animação, 70% dos participantes europeus usam IA. Entre os norte-americanos, o índice foi de 53%.
Com base nesses dados, os desenvolvedores europeus parecem mais inclinados a adotar a tecnologia. Há, porém, um ponto a considerar ao avaliar os resultados: o VAIA é uma iniciativa comercial de pesquisa.
A Vivrato vende relatórios nas modalidades Studio e Enterprise com esses dados, voltados a ajudar estúdios a definir quanto usar de IA.
Segundo a consultoria, analistas independentes especializados em pesquisas sobre jogos revisaram o levantamento, mas essa revisão não garante neutralidade completa.








