A Eletronic Arts (EA) teria escolhido investir em Star Wars Battlefront 3 em vez de continuar a produção de Mass Effect Universe.
A decisão foi o principal motivo para o fechamento da BioWare e o cancelamento do RPG, segundo informações de Jason Schreier, da Bloomberg.
Com dificuldades financeiras, a empresa considerou o jogo de Star Wars um investimento de menor risco. O projeto ficaria com DICE e Respawn, mas ainda não havia entrado em desenvolvimento quando a escolha foi feita.
As informações vieram de conversas com pessoas que conhecem os planos da EA e da BioWare. Os detalhes estão em um vídeo que acompanha a newsletter de Schreier na Bloomberg.
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Dívidas pesaram na escolha entre os jogos
A possibilidade de produzir outro Battlefront surgiu há alguns meses, após conversas com a Lucasfilm e a retomada do interesse por Battlefront 2.
No mesmo período, a EA revisava seus projetos por causa dos custos de sua compra por um grupo de investidores liderado pelo PIF. A aquisição, financiada em parte com empréstimos, foi de US$ 55 bilhões, cerca de R$ 302,1 bilhões.
A operação deixou a EA com aproximadamente US$ 18 bilhões em dívidas, ou R$ 98,9 bilhões, e juros anuais acima de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 5,5 bilhões. Cada jogo exigiria centenas de milhões de dólares. Battlefront 3 precisaria ser feito do zero.
Já Mass Effect estava em uma fase inicial, com cerca de 50 pessoas na BioWare. Para concluir o RPG, seria necessário aumentar bastante a equipe ou contratar outros estúdios para ajudar.
Equipe de Mass Effect trabalhou em The Veilguard
Anunciado em 2020, Mass Effect Universe ainda estava a anos do lançamento. Segundo Schreier, boa parte da demora ocorreu porque seus desenvolvedores passaram de um ano e meio a dois anos ajudando a concluir Dragon Age: The Veilguard, inclusive a missão final.
A EA decidiu financiar Battlefront 3 em vez de manter os dois projetos. Essa escolha foi o principal fator para o fechamento da BioWare, mas outros problemas também pesaram.
The Veilguard ficou abaixo das expectativas, Anthem foi um grande fracasso e Mass Effect: Andromeda recebeu avaliações divididas da crítica.
Na avaliação de Schreier, os executivos da EA entendem melhor os jogos de tiro e as franquias com lançamentos previsíveis do que os RPGs extensos, com histórias que mudam conforme as escolhas do jogador.
As declarações públicas de Jennifer Hale e Mark Darrah seguem essa avaliação. Para os dois, a empresa nunca entendeu bem o trabalho da BioWare.
Laura Miele perdeu espaço na direção da EA
Mudanças na direção também teriam prejudicado o estúdio. Laura Miele, que defendia a BioWare e Mass Effect dentro da EA, perdeu espaço.
Ao mesmo tempo, David Tinson e Cam Weber ganharam influência. Os dois têm ampla experiência na área de jogos esportivos da empresa.
Os cortes atingiram os funcionários que ainda estavam na BioWare e outras áreas da EA, com mais 350 demissões fora do estúdio. A adaptação de Mass Effect para a televisão pela Amazon, por outro lado, continua em produção.
Para os fãs, um dos pontos mais difíceis é que o RPG perdeu o investimento para um jogo cujo desenvolvimento ainda nem havia começado.
A expectativa é que Battlefront 3 venda bem mais que um novo Mass Effect, sobretudo após a queda de confiança na capacidade da BioWare de lançar sucessos. Isso ajuda a explicar a decisão financeira, mas não reduz a perda de um estúdio histórico de RPGs.
Os fãs ainda esperam que outra empresa consiga salvar a BioWare. Enquanto isso, a petição no Change.org se aproxima de 285 mil assinaturas.








