O próximo Mass Effect se chamaria Mass Effect Universe e teria um agente N7 personalizável como protagonista. O personagem usaria uma tecnologia experimental de invasão de sistemas, segundo informações recentes.
Já as missões combinariam a estrutura da trilogia original com mais liberdade para cumprir objetivos, com inspiração em Hitman.
As informações são do criador de conteúdo australiano Dantics. Ele disse que participou do Mass Effect Council, um grupo que dava opiniões à BioWare durante o desenvolvimento.
Seu relato traz os detalhes mais completos até agora sobre o projeto da pequena equipe de Michael Gamble, encerrado após a EA fechar o estúdio.
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O jogo era desenvolvido por cerca de 50 pessoas. Além do fechamento da BioWare e do cancelamento de Mass Effect, a EA anunciou outras 350 demissões em seus estúdios.
Os cortes ocorreram após a compra da empresa por US$ 55 bilhões, que deixou a companhia com cerca de US$ 18 bilhões em dívidas. Os valores equivalem a aproximadamente R$ 293,4 bilhões e R$ 96 bilhões, respectivamente.
Um trailer vazado depois do cancelamento mostrou as primeiras imagens do RPG. Agora, Dantics trouxe mais informações sobre o cenário, o protagonista, o combate e a liberdade nas missões.
História se passaria mais de 600 anos após Shepard
Segundo Dantics, Mass Effect Universe seria ambientado mais de 600 anos depois da trilogia original. Após a destruição dos relés de massa, as estruturas usadas para viajar pela galáxia, a humanidade ficou isolada de boa parte das outras civilizações.
A Citadel estaria acima da Terra. Humanos, Batarians e Krogan teriam formado uma aliança. As espécies do Conselho, por sua vez, construíram suas próprias superestruturas e criaram um bloco separado.
Na época em que o novo jogo se passaria, a rede de relés já teria sido reparada e reconstruída. A equipe pretendia considerar as três principais escolhas de final da trilogia.
O salto de mais de seis séculos ajudaria a acomodar essas diferenças. A tecnologia teria avançado a ponto de os Reapers já não terem a mesma superioridade tecnológica de antes.
Ao mesmo tempo, o uso amplo de melhorias sintéticas aproximaria a galáxia das condições do final Synthesis. No cenário de Destroy, mesmo que Shepard tivesse sobrevivido, já teria morrido muito antes da nova história.
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Ainda assim, o legado de Shepard continuaria importante. As escolhas feitas nos jogos anteriores poderiam ser mencionadas. A exceção seria o final Refusal, no qual o jogador rejeita a decisão final.
Dantics não explicou como seria possível importar ou selecionar essas escolhas, nem o quanto elas mudariam o novo jogo. É possível que ele também não tivesse essas informações.
O cenário político seria marcado por uma Guerra Fria entre três facções. Um inimigo ainda não identificado parecia interferir nos acontecimentos sem se revelar. Esse mistério envolveria o protagonista na história.
Dantics também citou uma facção sintética especializada na construção de megaestruturas e uma infraestrutura que ligaria a Via Láctea a Andrômeda.
O relato não esclarece como essa ligação funcionaria nem se algum personagem de Mass Effect Andromeda apareceria.
Agente N7 teria inspiração em James Bond e John Wick
Uma das principais mudanças estaria no protagonista. Em vez de outro personagem com o mesmo papel de comandante Shepard, o jogador controlaria um agente N7 personalizável, com opção masculina ou feminina.
Na comparação feita pelos desenvolvedores, Shepard carregava um arsenal de armas, enquanto o novo personagem teria uma atuação mais precisa.
A proposta combinava características de James Bond e John Wick. Isso ajuda a explicar a cena do trailer vazado em que o protagonista diz que já não faz parte das Forças Armadas.
Sua habilidade específica viria de uma tecnologia experimental implantada na cabeça, que interagia de formas incomuns com seu organismo.
Dantics comparou os recursos aos sistemas de invasão de Cyberpunk 2077. O agente poderia enxergar através de paredes, identificar elementos úteis no cenário e ativá-los à distância.
Um exemplo seria provocar a explosão de um cano atrás de um inimigo. Poderes tradicionais de Mass Effect também estariam presentes.
Entre eles, uma investida biótica semelhante à da classe Vanguard e uma habilidade parecida com Singularity. Esses recursos dariam ao jogador mais opções durante o combate.
Missões combinariam a estrutura da trilogia com mais liberdade
Mass Effect Universe manteria, em grande parte, as missões criadas individualmente da trilogia original. A proposta deixaria de lado o mundo aberto de Andromeda, mas permitiria mais liberdade para chegar aos objetivos.
Dantics citou Hitman e o início da missão em Noveria como referências. Nesses ambientes, conversar, observar e avaliar a situação poderia fazer diferença antes do combate.
Entrar atirando também continuaria sendo uma opção. A descrição ajuda a entender a proposta mencionada por Tony de Waal, supervisor de cenas cinematográficas da BioWare.
Após o fechamento do estúdio, ele disse que a equipe buscava inspiração na Larian e na CD Projekt para dar mais autonomia ao jogador. Os relacionamentos com os companheiros também teriam conflitos.
A dinâmica entre Jack e Miranda foi usada como comparação: o jogador precisaria conquistar a confiança dos integrantes da equipe e lidar com personalidades diferentes.
Liara T'Soni voltaria como uma matriarca Asari mais velha e muito mais poderosa. Dantics não esclareceu se ela seria uma integrante permanente do grupo.
Desenvolvimento estaria mais avançado do que parecia
Dantics diz que o projeto estava bem mais avançado do que as declarações públicas indicavam. Para os fãs, essa pode ser uma das informações mais frustrantes sobre o cancelamento.
Ele elogiou a equipe reduzida e disse que esse tamanho permitia perceber melhor o entusiasmo de cada desenvolvedor no trabalho.
Segundo seu relato, o jogo era apresentado com frequência como um projeto feito para o público da trilogia original.
Dantics também disse que a equipe de Mass Effect passou bastante tempo ajudando a concluir Dragon Age: The Veilguard.
Sem esse trabalho em outro projeto, o novo Mass Effect talvez estivesse perto de ficar pronto. Ele reconheceu, porém, que não conhece toda a dimensão dessa participação.
O político canadense Avi Lewis pediu apoio do governo federal para que os desenvolvedores comprassem o estúdio e passassem a administrá-lo.
A viabilidade da proposta, no entanto, é incerta. O relato descreve um RPG com foco em espionagem, mais liberdade nas missões e a intenção de preservar o legado da trilogia.
A proposta era atraente, o que torna o cancelamento e o fechamento do estúdio mais frustrantes, sobretudo pela possibilidade de o jogo nunca chegar ao público.








