No começo de janeiro, James Ohlen, veterano com 22 anos de passagem pela BioWare, deixou a Archetype Entertainment, estúdio criado por ele com apoio da Wizards of the Coast para desenvolver EXODUS, RPG de ação e ficção científica comparado a Mass Effect.
Como o jogo segue previsto para chegar no início de 2027, a saída levantou dúvidas entre parte da comunidade sobre a situação do projeto. Uma entrevista publicada pelo PC Gamer ajuda a explicar o motivo da decisão.
Segundo Ohlen, ele passou por um forte esgotamento físico e mental enquanto acumulava os cargos de chefe do estúdio e diretor criativo de EXODUS. Por causa disso, decidiu se afastar.
"Eu sempre dizia para todo mundo que nunca deveria comandar um estúdio porque isso acabaria comigo. E quase acabou mesmo. Foram seis anos nesse ritmo. Eu estava sem energia, isso afetou minha saúde, minha vida pessoal e tudo ao redor. Eu precisava sair."
Ohlen comentou que a pressão vinha tanto da parte criativa quanto da gestão da empresa. Segundo ele, liderar um projeto grande exigia decisões constantes que entravam em conflito com a própria visão criativa, além da pressão natural de um jogo com orçamento alto.
"Como criador, você se importa demais com tudo. Mas, ao mesmo tempo, como chefe do estúdio, precisa tomar decisões difíceis o tempo inteiro e lidar com críticas à sua visão. Eu não me colocaria nessa situação de novo. Não é saudável. Talvez eu tenha me enganado achando que conseguiria suportar isso sem me destruir por dentro. Era coisa demais. Você tenta administrar personalidades diferentes, equipes, grupos, organizações e ainda existe toda a pressão de um projeto grande."
Essa não foi a primeira vez que ele passou por algo parecido. O mesmo aconteceu na época da BioWare, durante o desenvolvimento de Star Wars: The Old Republic, MMORPG lançado em 2011.
Na entrevista, Ohlen comentou que errou ao evitar transformar o jogo em uma espécie de "World of Warcraft no espaço".
Ele também revelou que existia um plano para um reboot parcial de SWTOR chamado Star Wars: The New Republic. A proposta transformaria o jogo em algo mais próximo de "KOTOR Online", em referência a Knights of the Old Republic.
A ideia chegou a receber apoio do ex-executivo da EA Patrick Söderlund, hoje na Embark e presidente executivo da NEXON, além de Kathleen Kennedy e Dave Filoni, da Lucasfilm.
Mesmo assim, o projeto não avançou. Segundo Ohlen, a diretoria da EA não queria liberar mais orçamento depois do investimento pesado feito em SWTOR anos antes. Na cotação atual, os US$ 300 milhões citados por ele equivalem a cerca de R$ 1,7 bilhão.
"Era a chance de fazer Knights of the Old Republic Online, de corrigir tudo o que eu achava que tínhamos feito errado. Eu fiquei muito animado porque o grande desafio era convencer Patrick Söderlund, que eu acho excelente, mas odiava Star Wars: The Old Republic. E eu consegui convencer ele. Foi uma das maiores conquistas da minha carreira. Nós teríamos Star Wars: The New Republic, mas o conselho da EA lembrava do lançamento de SWTOR e dos US$ 300 milhões gastos no projeto. A reação foi basicamente: 'Por que gastar ainda mais dinheiro nisso?'"
No fim, Ohlen deu a entender que aprendeu o limite entre trabalhar em um projeto dos sonhos e o desgaste causado por ele. Mesmo fora de EXODUS, ele não descarta voltar a abrir outro estúdio no futuro.
"Tenho certeza de que em algum momento vou acabar sendo convencido a criar outro estúdio de games — junto com toda a dor de cabeça que vem com isso."