A Apple era uma das poucas empresas que ainda mantinha seus preços estáveis, mesmo com a alta nos custos de memória afetando grande parte do mercado global de eletrônicos.
Essa situação, porém, parece estar mudando. Após alguns trimestres tentando absorver os aumentos de custos, a empresa agora dá sinais de que não conseguirá mais evitar reajustes.
"Unfortunately, price increases are unavoidable," said Cook. "We're doing our best to mitigate the huge increases that are being passed to us, and we've been trying to shield our customers from the increases, but the situation has become unsustainable."
This will only get worse,… https://t.co/qG4caOVkoD pic.twitter.com/lqfeYaAbBr
— P Equity Research 📰 (@pequityresearch) June 17, 2026
O CEO da Apple, Tim Cook, já havia informado que o trimestre encerrado em junho registraria um aumento "substancial" nos custos de memória.
Agora, a empresa parece aceitar que os reajustes de preços serão inevitáveis. Em declaração ao Wall Street Journal, Cook afirmou que os aumentos de preços se tornaram "inevitáveis" e comentou:
"Estamos fazendo o possível para reduzir os enormes aumentos de custos que estão sendo repassados para nós e tentamos proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável."
A fala indica que a futura linha iPhone 18 deverá chegar ao mercado com preços mais altos. A expectativa é que o modelo básico receba um upgrade para 12 GB de RAM, algo necessário para executar os modelos mais recentes de inteligência artificial da empresa em toda a linha.
What caught my eye in the WSJ's Tim Cook interview was not so much Apple signaling that it will raise device prices, but rather its declaration that it intends to put its enormous cash pile to work.
Contrary to how the WSJ read it, I interpret this differently. Just as Nvidia… pic.twitter.com/Yjx9IDohcK
— Jukan (@jukan05) June 18, 2026
Cook também disse que a Apple está disposta a usar seu balanço financeiro para "fazer parte da solução". Isso sugere que a companhia pode passar a investir diretamente na expansão da capacidade de produção de memória.
Durante a divulgação dos resultados financeiros do trimestre encerrado em março, Cook já havia alertado sobre a pressão nos custos de memória para o trimestre seguinte. Na ocasião, ele declarou:
"Posso dizer que, além do trimestre de junho, acreditamos que os custos de memória terão um efeito cada vez maior em nossos negócios, e continuaremos avaliando isso. Como já dissemos antes, analisaremos diferentes opções."
Nas últimas semanas, também surgiram sinais de pressão sobre o portfólio de produtos da Apple. Em maio, a empresa retirou de seu configurador nos Estados Unidos e em outros mercados importantes a versão básica do Mac mini equipada com chip M4, 16 GB de RAM, 256 GB de armazenamento e preço de US$ 599, cerca de R$ 3.295 na conversão direta atual, sem considerar impostos e taxas.
Pouco depois, a Apple também removeu a opção de 256 GB de memória unificada do configurador do Mac Studio com chip M3 Ultra, mantendo apenas a configuração com 96 GB de memória.
Segundo a análise apresentada anteriormente, um único conjunto de memória unificada de 256 GB seria suficiente para aproximadamente dez unidades do MacBook Pro com chip M5 Pro e 24 GB de memória.
Além disso, a venda desses notebooks geraria margens maiores, de forma acumulada, do que uma única unidade do Mac Studio.
Com a Apple também sendo afetada pela alta nos custos de memória, a pressão gerada pela expansão da inteligência artificial passa a atingir praticamente todo o mercado global de eletrônicos de consumo.
