Os jogos de ação chineses tiveram dois anos de bons momentos, com o sucesso mundial de Black Myth: Wukong e o interesse pelas artes marciais de Phantom Blade Zero antes de seu lançamento.
Genigods: Nezha quer seguir esse caminho por outro tema. Em vez de adaptar Jornada ao Oeste ou histórias de wuxia, o jogo volta à mitologia chinesa sobre a criação do mundo.
Krista Lee, da Genigods Lab, apresentou o projeto presencialmente na gamescom 2026, após uma prévia remota no início do ano. Na época da apresentação, Phantom Blade Zero tinha lançamento previsto para o mês seguinte.
O estúdio já tem experiência no desenvolvimento de jogos, mas está começando nesse tipo de produção. Seus fundadores trabalham no setor há cerca de 20 anos.
Entre os projetos anteriores estão o jogo de My Hero Academia para celulares, publicado pela Crunchyroll, e a série Condor Heroes, também para dispositivos móveis, que passou de 10 milhões de downloads.
Krista divide essa trajetória em três etapas de dez anos. A primeira foi dedicada a projetos licenciados. A segunda teve foco na criação de marcas próprias para celulares.
Agora começa a fase que o estúdio chama de Genesis. Nezha será o primeiro jogo de uma trilogia sobre os mitos chineses da criação, planejada para os próximos dez anos.
Feito na Unreal Engine 5, Genigods: Nezha está em otimização para PlayStation com a colaboração da Sony. A estreia está prevista para 2028 no PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
- Leia também: Crimson Desert: por que a Pearl Abyss escolheu uma engine própria em vez da Unreal Engine 5
A versão para Xbox foi anunciada na Opening Night Live da gamescom 2026. No PC, o jogo já pode ser adicionado à lista de desejos do Steam. Assim como Black Myth: Wukong e Phantom Blade Zero, será um lançamento pago de grande produção.
Uma história anterior ao nascimento de Nezha
A proposta depende de alguns detalhes da mitologia chinesa. O jogo parte de uma interpretação criativa desses relatos para construir sua história.
No mito, o gigante primordial Pangu separou o céu da terra. Após sua morte, o corpo dele formou o mundo: o sangue virou rios, os ossos se tornaram montanhas e a carne deu origem ao solo.
Nüwa, a deusa da vida, moldou os primeiros humanos com argila. Mais tarde, reparou o céu com pedras de cinco cores depois que os pilares que o sustentavam desabaram.
- Leia também: Kojima diz que não está em conflito com a Sony, mas queria ter sido avisado sobre Physint
Genigods: Nezha começa após Pangu entrar em um sono eterno. O mundo está em caos, dez sóis queimam a terra e a transformam em um deserto vermelho, deuses guerreiam pelo céu destruído e monstros saem do abismo.
A versão mais conhecida de Nezha vem de Fengshen Yanyi, também chamado de Investidura dos Deuses. Nessa obra, ele é um menino rebelde nascido durante a dinastia Shang, cerca de três mil anos atrás.
Nezha luta contra os Reis Dragões, sacrifica a própria vida e renasce em um corpo feito de raízes de lótus.
A história voltou a ter grande repercussão com Ne Zha 2, que se tornou a animação de maior bilheteria de todos os tempos e o filme de maior arrecadação na história da China.
O jogo, porém, recua muito além desses acontecimentos. Em Fengshen Yanyi, Nezha é a encarnação de Lingzhu Zi, nome que significa Pérola Espiritual.
A Genigods Lab parte desse detalhe para explorar a origem da própria pérola, em uma época anterior à humanidade.
O jogador controla essa Pérola Espiritual, criada por Nüwa com terra, água e fogo. No início, ela se parece mais com um recipiente ou artefato do que com uma pessoa.
Ao longo da aventura, a pérola se transforma no primeiro ser humano: uma mulher moldada com água e argila. Depois, ela renasce como Nezha.
Assim, a versão de Nezha do jogo é feminina e vive em um mundo no qual quase não há outras pessoas. Ainda assim, a protagonista terá companhia.
Entre os personagens centrais estão Yi, o arqueiro que derrubou os sóis excedentes, e Yu, o Grande, que controlou as enchentes.
O gigante Kuafu também participa da jornada. Ele ajuda na subida pela Árvore do Sol, que liga o mundo dos mortais ao reino celestial.
Combate tem inspiração em Bruce Lee e armas da mitologia
A ideia por trás do combate está entre os pontos mais interessantes do projeto. O estúdio parte da noção de que a água é a origem de tudo.
A inspiração vem diretamente da orientação de Bruce Lee para ser como a água e dos princípios do Jeet Kune Do. Com isso, o sistema de luta foi construído em torno de movimentos fluidos.
Nüwa entrega à protagonista o Coração da Água Sagrada, um companheiro com consciência própria que evolui ao lado dela.
Ele funciona como fonte de poder e recurso para resolver quebra-cabeças. Na prática, o combate tem ritmo acelerado, mudanças de postura e transições entre o chão e o ar.
Na apresentação, sequências de golpes lançavam inimigos para cima, continuavam com combos aéreos e terminavam em execuções.
O próprio estúdio cita os primeiros God of War e Devil May Cry como referências, o que ajuda a entender o ritmo pretendido para as batalhas. Outro sistema central é o Relic Fusion, ou fusão de relíquias.
Durante a aventura, o jogador reúne objetos da mitologia chinesa e os combina com as armas e formas de Nezha para criar habilidades. O exemplo apresentado foi o arco de Yi, usado pelo herói que derrubou nove sóis.
Ao ser fundido à arma de Nezha, ele se transforma em algo diferente, com habilidades ligadas a esse mito. Mais adiante, também será possível despertar a forma lendária de Nezha, com três cabeças e oito braços.
Deuses gigantes e campanha de cerca de 25 horas
O tamanho dos adversários é outro atrativo. Nezha lutará contra deuses e criaturas com dimensões comparáveis às de montanhas.
Em vários confrontos, será necessário escalar esses seres e lutar sobre seus corpos, de forma semelhante a Shadow of the Colossus e Dragon's Dogma.
Segundo a Genigods Lab, a campanha terá mais de dez grandes duelos e duração aproximada de 25 horas. Também haverá múltiplos finais. Krista Lee explicou que seria necessário terminar a campanha cerca de três vezes para ver todos.
Depois, ela sugeriu que talvez todas as escolhas levassem ao mesmo desfecho. A resposta ficou em aberto, só jogando para descobrir.
Na parte visual, a equipe usa como referência as esculturas das grutas de Dunhuang, templos budistas em cavernas ao longo da Rota da Seda. Essa influência aparece nas curvas e nos contornos dos personagens.
Demo mostra combos, esquivas e uma barra de disputa de poder
A Genigods Lab levou uma demonstração jogável à gamescom 2026. Nela, havia uma batalha contra The Rift-Cursed, um guerreiro misterioso com armadura de placas.
As semelhanças com Devil May Cry e a trilogia original de God of War aparecem desde o começo. O combate tem ritmo bastante acelerado.
Com o movimento Air Dash, a futura deusa pode avançar pelo ar diretamente até o inimigo. Há também uma grande variedade de combos.
Entre os golpes básicos está o Uppercut, executado ao segurar o botão X. A lista inclui movimentos mais complexos, como Multi-Kick, Serpentine Volley, Plantain Fan e Aquatic Time Cage.
Outras opções são A Thousand Arrows, Fast Fall, Dragon Emerges, Dragon Crash Kick, Dragon Stream, Aqueos Orb, Sun Piercer e Dragon Leap.
O tempo limitado da demonstração não foi suficiente para dominar todos esses movimentos. Ainda assim, acertar as defesas no momento do golpe e as esquivas bastou para superar o confronto.
A batalha era relativamente fácil, algo compreensível para esse tipo de demonstração. Outro elemento interessante é a barra Divine Power, que lembra sistemas de jogos de luta.
Ela começa dividida entre azul e vermelho. O espaço ocupado por cada cor muda conforme o desempenho dos dois adversários. Ao preencher toda a barra de azul, fica disponível uma execução.
Esse movimento atordoa o inimigo e abre um período para causar dano sem sofrer ataques. O jogo ainda precisa de bastante trabalho até ficar pronto.
Mesmo assim, a impressão da curta demonstração foi positiva, e o contato com o combate aumentou o interesse pelo projeto após a apresentação.
Equipe, desenvolvimento e planos para a trilogia
Após a demonstração, Krista Lee respondeu a perguntas sobre a história, o tamanho da equipe e os próximos passos da Genigods Lab.
O objetivo de Nezha é se tornar uma deusa?
Segundo Krista Lee, sim. A personagem busca se tornar uma divindade imortal e também precisa deter o gigante.
Quantas pessoas trabalham no jogo?
A equipe dedicada a Genigods: Nezha tem cerca de 60 desenvolvedores.
Em que fase está o desenvolvimento?
Krista explicou que o projeto ainda está em uma fase inicial. Ela não o classificou como alfa ou pré-alfa.
Outros jogos da série Genesis estão nos planos?
Sim. Este primeiro título tem foco em Nezha. Depois dele, o estúdio pretende desenvolver outras partes, com três grandes jogos sobre os mitos da criação ao longo dos próximos dez anos.
As histórias terão ligação entre si?
Sim. Ao terminar Genigods: Nezha, o jogador terá uma boa compreensão da primeira parte da história antes de seguir para o próximo título.
Cada jogo também poderá ser aproveitado por conta própria. Ainda assim, segundo Krista, a experiência será melhor para quem começar por Nezha.
O lançamento continua previsto para 2028?
Sim. Krista confirmou a meta apresentada no evento e informou que o projeto já estava em desenvolvimento havia dois anos.
A versão de PC terá path tracing?
Sim. Krista confirmou o suporte ao recurso na versão para computadores.


















