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Sindicato e mais de 3.500 funcionários da Xbox dizem que vão lutar contra nova onda de demissões

Funcionários da Xbox reclamam de demissões e pedem proteção contra cortes. Sindicato CWA defende regras para reduzir impactos e pressiona Microsoft a aceitar mudanças.
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Quando a Xbox buscava concluir a compra da Activision Blizzard King, um dos pontos que ajudaram na aprovação do negócio foi o acordo de neutralidade firmado com a Communications Workers of America (CWA).

Com isso, profissionais de estúdios ligados à Microsoft e à Xbox passaram a ter liberdade para criar sindicatos sem oposição da empresa.

Desde então, milhares de funcionários se sindicalizaram. Ainda assim, a Microsoft realizou várias rodadas de demissões depois da conclusão da compra da Activision Blizzard King.

Agora, diante de relatos sobre uma nova onda de cortes na Xbox, a CWA realizou uma coletiva de imprensa virtual no dia 29 de junho para informar que pretende contestar as demissões e continuar defendendo os trabalhadores.

Sindicato cobra mais proteção para funcionários da Xbox

O Wccftech participou da coletiva, que reuniu mais de 200 pessoas pelo Zoom. O encontro começou com uma fala de Frank Arce, vice-presidente do Distrito 9 da CWA.

Em seguida, profissionais de diferentes estúdios da Xbox compartilharam relatos sobre suas carreiras, os motivos que os levaram ao sindicato e as mudanças que esperam da Microsoft.

Logo no início, Arce disse que todos os funcionários da Xbox, independentemente de fazerem parte de um dos sindicatos já criados dentro da Microsoft, "não serão tratados como descartáveis".

Entre os participantes estava Morgan Goin, desenvolvedora de Elder Scrolls Online. Ela contou que decidiu entrar para a CWA após o fechamento da Arkane Austin, estúdio onde esperava permanecer até a aposentadoria.

Segundo Goin, o encerramento foi inesperado, já que a equipe havia recebido da administração a informação de que estava cumprindo as metas estabelecidas. Andrew Snell, profissional da área de controle de qualidade da Activision, também compartilhou sua experiência.

Ele trabalha na empresa há seis anos e relembrou que perdeu o emprego durante uma rodada de cortes de contratados. Depois disso, conseguiu retornar à equipe ao participar de um novo processo de contratação.

Funcionários pedem regras para reduzir os impactos das demissões

Apesar das histórias diferentes, todos os participantes defenderam as mesmas reivindicações. Entre elas estão medidas consideradas básicas para reduzir os impactos de futuras demissões, como aviso prévio antes dos cortes, congelamento temporário de contratações externas para dar prioridade à transferência de funcionários para vagas abertas e pacotes de indenização mais amplos para quem for desligado.

Segundo os representantes da CWA, a intenção é que a Microsoft aceite mecanismos que deem mais segurança aos funcionários caso uma nova rodada de demissões seja anunciada.

A proposta é que a empresa demonstre ter analisado todas as alternativas antes de dispensar milhares de trabalhadores.

"Todos na Xbox merecem segurança de longo prazo sobre sua situação caso as demissões aconteçam", disse Alison Veneto, editora da Blizzard e integrante da CWA.

Durante a coletiva, os participantes também comentaram a diferença entre o discurso e as ações da Microsoft. Como exemplo, citaram o aumento recente no preço dos consoles Xbox Series, anunciado pela empresa com a justificativa de problemas relacionados à oferta de memória. Os sindicalistas relacionaram esse cenário aos investimentos bilionários da Microsoft em inteligência artificial.

"Eles simplesmente escolhem não nos proteger", disse Mahreen Fatima, artista sênior de ambientes da Blizzard que trabalha em Diablo IV.

Outro ponto citado foi o andamento das negociações entre a Microsoft e o sindicato. Morgan Goin disse que a empresa reduziu de 12 para apenas quatro horas por mês o tempo destinado às negociações contratuais. Segundo ela, essa limitação não acontece por falta de disponibilidade dos representantes dos trabalhadores.

CWA promete continuar pressionando a Microsoft

Caso as demissões sejam confirmadas, a CWA informou que voltará a convocar a Microsoft para negociar. O sindicato afirmou que seus mais de 3.500 integrantes continuarão mobilizados em busca de melhores condições para os funcionários da Xbox.

No encerramento da coletiva, Sherveen Uduwana, tesoureiro da United Video Game Workers, participou em apoio aos integrantes da CWA.

Ele comentou que a liderança da Microsoft e da Xbox tem tratado os cortes como um "recomeço", mas, na prática, as demissões seguem um padrão que já se repete há anos e que, segundo ele, não trouxe mudanças para a divisão Xbox.

"Os desenvolvedores não estão pedindo salários de milhões de dólares. Eles querem apenas proteções que possibilitem manter o foco na criação de bons jogos", disse Uduwana.

"Estamos pedindo que a Xbox trate as demissões como uma falha da própria liderança."