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Warren Spector, criador de Deus Ex, se aposenta após 44 anos na indústria de games

Warren Spector anuncia aposentadoria após 44 anos criando jogos como Deus Ex, Ultima Underworld e Epic Mickey, deixando legado em RPGs e immersive sims.
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Warren Spector, veterano da indústria de games e um dos principais nomes por trás de Deus Ex, anunciou sua aposentadoria após mais de quatro décadas trabalhando com jogos.

Em uma publicação no LinkedIn, o designer explicou que já vinha considerando essa decisão havia algum tempo, mas acabou permanecendo no setor por mais alguns anos.

“Os motivos para minha aposentadoria são simples: estou chegando a 44 anos como desenvolvedor. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com RPGs de mesa e jogos de tabuleiro, além de participar de vários jogos digitais — 17 títulos completos, se bem me lembro, além de cerca de nove pacotes de expansão.”

Carreira começou nos RPGs de mesa

A trajetória de Spector começou antes de sua entrada nos videogames. A partir de 1983, ele trabalhou com RPGs de mesa na Steve Jackson Games e na TSR, editora responsável por Dungeons & Dragons.

A mudança para os jogos eletrônicos veio em 1989, quando entrou para a Origin Systems, estúdio conhecido pelas franquias Ultima e Wing Commander.

Na Origin, trabalhou como produtor em títulos como Ultima VI: The False Prophet e o primeiro Wing Commander, ambos lançados em 1990. Neste último, também trabalhou ao lado de Chris Roberts.

Nos anos seguintes, participou da produção de Ultima Underworld, Ultima Underworld II: Labyrinth of Worlds, Ultima VII Part Two: Serpent Isle, System Shock, Wings of Glory, Bad Blood e Martian Dreams, entre outros projetos.

O trabalho em Ultima Underworld, desenvolvido pela Blue Sky Productions — que depois passou a ser conhecida como Looking Glass Studios — se tornou uma das principais referências para o gênero que mais tarde receberia o nome de immersive sim.

Esse tipo de jogo combina sistemas de simulação com diferentes possibilidades de ação, dando ao jogador liberdade para escolher como resolver cada situação.

Após sair da Origin, Spector passou um curto período na Looking Glass, onde continuou envolvido com jogos como System Shock e Thief: The Dark Project. Esses projetos ajudaram a estabelecer várias das características associadas aos immersive sims.

Ion Storm e a criação de Deus Ex

Em 1997, Warren Spector fundou a divisão de Austin, no Texas, da Ion Storm, estúdio criado em parceria por nomes como John Romero, conhecido por seu trabalho em Doom e Quake.

Foi nesse período que Spector dirigiu o projeto que se tornaria o trabalho mais conhecido de sua carreira: Deus Ex, lançado em 2000. O jogo misturava mecânicas de tiro em primeira pessoa, elementos de RPG e conceitos dos immersive sims.

Boa parte da experiência era baseada nas escolhas do jogador e nas consequências dessas decisões, com diferentes caminhos disponíveis durante as missões. Deus Ex consolidou Spector como um dos designers mais respeitados da indústria.

Ele permaneceu na Ion Storm Austin até 2004. Durante esse período, também supervisionou o desenvolvimento de Deus Ex: Invisible War, lançado em 2003, e Thief: Deadly Shadows, de 2004.

Spector deixou o estúdio em novembro daquele ano para, segundo a descrição divulgada na época, “buscar interesses pessoais fora da empresa”.

Disney, Epic Mickey e o retorno aos immersive sims

Em 2005, Spector fundou a Junction Point Studios ao lado de Art Min, que também havia trabalhado na Ion Storm.

O estúdio foi comprado pela Disney Interactive Studios em 2007. Sob a direção de Spector, a equipe desenvolveu Epic Mickey, jogo de plataforma para Wii lançado em 2010.

O título apresentava personagens clássicos da Disney em um mundo inspirado em tinta e pintura, com uma direção visual mais sombria que a encontrada em boa parte das produções da empresa.

A sequência, Epic Mickey 2: The Power of Two, chegou em 2012. Anos depois, outro estúdio também desenvolveu uma versão remasterizada do primeiro jogo.

Após um período dando aulas sobre desenvolvimento de jogos na Universidade do Texas, Spector entrou na OtherSide Entertainment como diretor criativo e diretor de jogos.

Na empresa, acompanhou projetos como System Shock 3 e Underworld Ascendant. Este último foi criado como sucessor espiritual da série Ultima Underworld, ligada ao início de sua carreira nos videogames.

Underworld Ascendant, porém, teve um desempenho muito ruim. Já System Shock 3 continua sem lançamento cerca de uma década após seu anúncio.

Mais recentemente, Spector trabalhou como produtor no jogo cooperativo de furtividade Thick as Thieves. O projeto também não encontrou público e foi seguido pela demissão de quase toda a equipe da OtherSide.

Uma carreira que atravessou várias gerações

Ao falar sobre sua aposentadoria, Spector comentou sobre a duração de sua carreira e o impacto que alguns desses projetos tiveram ao longo dos anos.

“Felizmente, alguns desses jogos continuam sendo aproveitados 15… 20… 30 anos depois. Além disso, muitos influenciaram o gênero de formas que superaram as expectativas minhas e de outras pessoas. Liderei equipes que iam de uma dúzia de integrantes até 800 pessoas, trabalhando tanto para grandes empresas quanto para startups. Gosto de pensar que ajudei algumas pessoas incrivelmente talentosas a avançar em suas carreiras. (Essa última parte é a mais importante.)”

O trabalho de Warren Spector já recebeu diferentes reconhecimentos ao longo dos anos. Entre eles estão o Game Developers Choice Lifetime Achievement Award, entregue durante a Game Developers Conference, um doutorado honorário pela Columbia College Chicago e uma homenagem pelo conjunto da carreira na Fun and Serious Games Conference.

Mesmo com uma trajetória extensa, Spector contou que a decisão de se aposentar não foi simples. Mudanças na indústria e a redução do prazer pessoal com o trabalho pesaram em sua escolha. Ele também comentou sobre a geração de desenvolvedores que está entrando no setor.

“Além disso, há uma nova geração de desenvolvedores surgindo e eles merecem a oportunidade deles. Quero enfatizar que os jogos ainda não são um problema totalmente resolvido — ainda existe, espero, muito espaço para experimentação e inovação. E, para todos vocês, jovens desenvolvedores, já disse isso antes e repito: a missão de vocês é fazer com que as pessoas esqueçam que indivíduos como eu existiram.”

Fora do desenvolvimento de jogos, Spector pretende dedicar mais tempo à escrita, leitura, palestras e, possivelmente, trabalhos de consultoria.

Ele não descartou por completo uma eventual volta à indústria, mas indicou que a aposentadoria deve mesmo encerrar essa etapa de sua vida profissional.

“Vou voltar? Nunca diga nunca. Mas acredito que chegou a hora de cavalgar rumo ao pôr do sol.”

A saída de Warren Spector encerra uma carreira de 44 anos ligada a alguns dos jogos que ajudaram a moldar RPGs, immersive sims e títulos de ação.

Para quem acompanha o gênero, a expectativa agora fica com outros estúdios e desenvolvedores capazes de continuar explorando esse tipo de design, incluindo nomes como Raphaël Colantonio e a WolfEye Studios em seu próximo projeto.