O evento GTC 2026 se aproxima como um dos mais importantes do setor de inteligência artificial, e a expectativa é de mudanças relevantes na forma como o mercado enxerga o uso de poder computacional.
Nos últimos anos, a disputa por infraestrutura de IA avançou rápido. A demanda por processamento cresceu e empresas como NVIDIA e AMD passaram a ajustar seus produtos.
Desde 2022, tarefas de treinamento ganharam força, com arquiteturas como Hopper e Blackwell ganhando espaço. Agora, em 2026, o foco começa a mudar para cargas chamadas de "agentic workloads", que devem ser o centro das novidades apresentadas pela NVIDIA durante o evento.
Um dos pontos mais aguardados envolve a parceria entre a NVIDIA e a Groq. A expectativa é que essa colaboração finalmente resulte em um produto concreto.
A ideia é combinar as unidades LPU da Groq com os sistemas Vera Rubin da NVIDIA, criando uma solução híbrida. Esse modelo deve usar uma estrutura com diferentes tipos de processadores no mesmo sistema, voltada para melhorar o desempenho em tarefas de inferência.
Há especulações de que essas LPUs possam aparecer em configurações com 64, 128 ou 256 unidades dentro de um único módulo, conectadas às GPUs da arquitetura Rubin por meio da tecnologia NVLink Fusion.
O CEO Jensen Huang já indicou que a parceria com a Groq terá papel parecido com o que a Mellanox teve no passado, ajudando a complementar etapas específicas do processamento.
Com isso, a empresa passa a cobrir diferentes fases de uma tarefa de inferência, como preparação e decodificação.
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Esse movimento indica que a estratégia baseada apenas em GPU começa a dar lugar a uma plataforma mais ampla, com diferentes tipos de chips trabalhando juntos.
Essa adaptação acompanha a evolução das cargas de trabalho em IA, que estão mais complexas e exigem soluções especializadas.
Outro destaque esperado no evento envolve a próxima geração de chips de IA chamada Feynman. Após o início da produção da arquitetura Vera Rubin, a NVIDIA deve apresentar mais detalhes dessa nova linha.

A proposta inclui avanços na forma como os chips são construídos, com uso de empilhamento 3D e um processo de fabricação de 1,6 nanômetro da TSMC.
Há também informações de que esses chips podem usar tecnologias de conexão avançadas, como SoIC ou EMIB, além da possibilidade de integrar diretamente as LPUs da Groq ao chip principal.
Isso indicaria uma integração ainda maior entre diferentes tipos de processamento dentro de um único componente. Rumores citam ainda o possível uso do processo 14A da Intel, mas isso não foi confirmado.
De qualquer forma, a arquitetura Feynman deve marcar uma mudança na forma como a NVIDIA projeta seus chips, o que pode influenciar toda a evolução das soluções em escala de rack nos próximos anos.
A linha Vera Rubin também segue em destaque. Durante a CES 2026, a empresa mostrou o sistema NVL72, com 72 chips, como base da nova geração. Existem planos para versões maiores, como NVL144 e NVL576, embora nem todas devam chegar ao mercado.
O modelo NVL576 chama atenção por trazer mudanças na estrutura física dos sistemas. A proposta inclui empilhamento vertical de módulos, chamados de "blades", além de um novo padrão de energia de 800 VDC.
Esse sistema também deve usar GPUs Rubin Ultra com mudanças na organização interna dos chips. Outro ponto importante está nas conexões entre os componentes.
A NVIDIA estuda reduzir o uso de cobre e adotar soluções ópticas com tecnologia CPO. A ideia é lidar melhor com o calor gerado por sistemas com centenas de GPUs, além de aumentar a capacidade de transmissão de dados e reduzir atrasos.
Existe até a possibilidade de a empresa mostrar um sistema ainda maior durante o evento, com mais de mil GPUs, mas isso ainda não foi confirmado.
Antes da chegada completa da arquitetura Feynman, a NVIDIA deve focar bastante nas evoluções da linha Rubin e Rubin Ultra.
Também são esperados anúncios relacionados a CPUs, incluindo parcerias com a Intel. O evento começou em 16 de março, com apresentação principal de Jensen Huang marcada para 15h no horário de Brasília.
O ano de 2026 deve marcar uma mudança importante na estratégia da NVIDIA, com a empresa indo além do uso exclusivo de GPUs e adotando soluções híbridas.
A integração com LPUs, novas arquiteturas e sistemas em larga escala indicam um novo caminho para lidar com as demandas crescentes da inteligência artificial.








