Durante uma sessão da GTC 2026 chamada "Introduction to Neural Rendering", a NVIDIA apresentou novamente sua técnica Neural Texture Compression (NTC).
A Neural Texture Compression foi mostrada pela primeira vez há quase três anos e está disponível por meio de um SDK desde o início de 2026.
Mesmo assim, até agora nenhum estúdio de jogos utilizou a tecnologia. Isso pode explicar por que a NVIDIA voltou a apresentar o recurso e seus possíveis benefícios.
O engenheiro sênior DevTech, Alexey Bekin, descreveu a Neural Texture Compression como uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para armazenar texturas de forma mais eficiente.
Em vez de guardar cada texel diretamente, o NTC comprime a textura em recursos latentes compactos que preservam as informações visuais principais.
Durante a execução, uma pequena rede neural rodando na GPU reconstrói os valores dos texels sob demanda, em vez de carregar grandes texturas da memória.
Outro ponto importante é que o NTC não é generativo, mas determinístico, ou seja, reconstrói exatamente a mesma textura todas as vezes. O sistema possui dois componentes.
A textura latente é uma versão muito menor do recurso original, onde cada texel armazena um vetor de características com propriedades do material, em vez da cor final.
Para manter os detalhes finos, é aplicado um codificador posicional às coordenadas UV antes de chegar ao decodificador.
Isso adiciona informações espaciais de alta frequência, ajudando a rede a reconstruir detalhes mais nítidos e padrões repetitivos que poderiam se perder em uma compressão tradicional. O treinamento segue um processo padrão de otimização neural.
A rede recebe coordenadas UV com codificação posicional e um código latente, gera uma reconstrução, compara com a textura original, calcula a diferença e ajusta iterativamente os pesos do modelo e o código latente até alcançar uma reprodução fiel do material original.
Vantagens sobre a compressão tradicional
A Neural Texture Compression da NVIDIA possui três vantagens estruturais em relação a formatos tradicionais como o BCN, amplamente usado:
- Maior taxa de compressão: mais dados de textura cabem na mesma quantidade de memória de vídeo
- Suporte a múltiplos canais: ativos complexos com vários canais de material (normais, roughness, albedo, AO e outros) podem ser comprimidos sem dividir ou simplificar os dados
- Economia de armazenamento e largura de banda: arquivos menores reduzem o tamanho de instalação, atualizações e tempo de download
Bekin mostrou uma cena de demonstração chamada Tuscan Villa, onde o NTC reduziu o uso de VRAM em 85%, passando de 6,5 GB para 970 MB em comparação com texturas comprimidas no formato BCN.
Isso pode ser útil para jogos com cenas que consomem muita memória. Além disso, a Neural Texture Compression também pode aumentar a qualidade das texturas mantendo o mesmo orçamento de VRAM, evitando artefatos comuns na compressão tradicional.

Segundo o leaker Kepler_L2, a Sony pode usar a Neural Texture Compression — que, apesar de ter sido desenvolvida pela NVIDIA, também funciona em hardware AMD e Intel — para reduzir o tamanho dos jogos do PlayStation 6.
Isso ajudaria a manter custos mais baixos com um SSD de 1 TB. O SDK do NTC, atualmente em versão beta, já está disponível em uma página no GitHub.
A Neural Texture Compression surge como uma alternativa para reduzir uso de memória e tamanho de jogos, além de possibilitar texturas com mais qualidade sem aumentar o consumo de VRAM.
