Fabricantes de PCs parecem ter encontrado uma forma de contornar a escassez de componentes: focar em hardware mais caro.
Os fabricantes de PCs começaram a buscar alternativas diante da escassez de componentes, e uma das estratégias envolve direcionar os produtos para consumidores com maior poder de compra.
A indústria de PCs passou por mudanças nos últimos meses, impulsionadas principalmente por problemas na cadeia de suprimentos.
Entre os efeitos estão o aumento dos preços no varejo e também nos custos de materiais para os fabricantes. Com isso, para manter as margens de lucro, algumas decisões passaram a ser consideradas.
Segundo um relatório recente da Omdia, o setor de PCs deve começar a se afastar dos consumidores que buscam modelos mais baratos e focar em usuários dispostos a pagar mais por hardware.
O relatório segue a mesma linha do que foi discutido há algumas semanas, quando surgiu a possibilidade de o segmento de PCs de entrada desaparecer nos próximos anos.
"Essas limitações de fornecimento devem ter maior impacto no segmento abaixo de US$ 500, que inclui a maioria dos dispositivos educacionais e modelos básicos para consumidores. Com margens menores e menor prioridade de alocação, o mercado de baixo custo fica mais restrito, e fornecedores menores correm maior risco de sair do mercado." — Omdia
De acordo com a Omdia, o crescimento nas vendas deve ocorrer nos PCs com preços entre US$ 1.300 e US$ 1.499 (aproximadamente entre R$ 7.000 e R$ 8.100 na cotação atual). Já o segmento abaixo de US$ 500 (cerca de R$ 2.700) pode registrar queda de até 35%.
A redução nos modelos mais baratos ocorre porque os fabricantes têm dificuldade para manter esses preços, já que o custo de memória aumentou e ainda há escassez de componentes como CPU e GPU.
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Esse cenário leva as empresas a priorizar produtos com maior margem de lucro. Com isso, marcas como ASUS e Acer podem ter dificuldades para atender o público que busca PCs mais acessíveis nos próximos anos.

Escassez e foco em IA também influenciam o mercado
O mercado geral de PCs também pode registrar queda nos próximos trimestres. Com a escassez de CPUs aumentando, fabricantes e fornecedores podem ter dificuldade para manter o ritmo apenas com vendas ao consumidor final.
Esse contexto ajuda a explicar o movimento de algumas empresas em direção à inteligência artificial, com fabricantes atuando também como fornecedores de servidores e buscando novas fontes de receita com a expansão desse mercado.
Ainda não está definido como o setor de PCs vai evoluir nos próximos anos, mas as tendências atuais indicam um cenário com menos opções acessíveis e maior foco em dispositivos mais caros.
A escassez de componentes e o aumento dos custos estão levando fabricantes a priorizar PCs com maior margem de lucro, o que pode reduzir a oferta de modelos mais baratos e mudar o perfil do mercado nos próximos anos.
