Meta anuncia quatro novos chips de IA da linha MTIA para uso até 2027

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A Meta confirmou que segue investindo no desenvolvimento de chips próprios para inteligência artificial. A empresa divulgou novos detalhes sobre sua estratégia de hardware e indicou que continuará ampliando a linha de processadores da família MTIA, focados em tarefas de IA.

As informações mostram que a companhia intensificou o trabalho com ASICs, chips criados para funções específicas, com foco no desempenho em inferência de modelos de inteligência artificial.

Segundo a empresa, a arquitetura usada nesses chips utiliza módulos chamados chiplets. Essa abordagem possibilita criar novas gerações de hardware com maior rapidez.

Com essa estrutura, a Meta pretende lançar quatro gerações de chips MTIA em apenas dois anos. O aumento da demanda por poder de processamento para IA tem levado grandes empresas de tecnologia a buscar alternativas além das GPUs tradicionais.

Fabricantes como a NVIDIA continuam dominando esse mercado, mas empresas de infraestrutura digital passaram a criar soluções próprias para cargas internas.

Outras gigantes de tecnologia, como Google e Amazon, também seguiram esse caminho com chips personalizados voltados para suas plataformas. De acordo com a Meta, o primeiro modelo dessa nova fase é o MTIA 300.

Chips MTI 400
Créditos da imagem: Meta

Esse chip foi projetado principalmente para tarefas de ranking e recomendação de conteúdo, sistemas usados em redes sociais e serviços digitais para organizar publicações, anúncios e sugestões ao usuário.

O componente inclui um chiplet de computação e dois chiplets de rede. Ele também usa memórias HBM com capacidade total de 216 GB e largura de banda de 6,12 TB/s.

A rede externa do sistema chega a 200 GB/s. O MTIA 300 serviu como base para o desenvolvimento do MTIA 400, que tem foco maior em desempenho bruto.

Segundo a empresa, essa geração registra aumento de cerca de 400% no desempenho FP8 em comparação ao modelo anterior, além de ganho de 51% na largura de banda da memória HBM.

Esse chip funciona em uma configuração com até 72 unidades interligadas por um sistema de backplane comutado. A empresa já iniciou o processo de implantação desse modelo em sua infraestrutura.

A tabela abaixo mostra as principais características técnicas das quatro gerações anunciadas:

MétricaMTIA 300MTIA 400MTIA 450MTIA 500
Foco de usoTreinamento de ranking e recomendaçãoUso geralInferência de IA generativaInferência de IA generativa
TDP do módulo800 W1200 W1400 W1700 W
Largura de banda HBM6.1 TB/s9.2 TB/s18.4 TB/s27.6 TB/s
Capacidade HBM216 GB288 GB288 GB384–512 GB
Desempenho MX412 PFLOPs21 PFLOPs30 PFLOPs
Desempenho FP8 / MX81.2 PFLOPs6 PFLOPs7 PFLOPs10 PFLOPs
Desempenho BF160.6 PFLOPs3 PFLOPs3.5 PFLOPs5 PFLOPs
Tamanho do domínio scale-up16727272
Rede scale-up (largura de banda unidirecional)1 TB/s1.2 TB/s1.2 TB/s1.2 TB/s
Rede scale-out (largura de banda unidirecional)200 GB/s100 GB/s100 GB/s100 GB/s

Os modelos MTIA 450 e MTIA 500 direcionam o desenvolvimento para inferência de IA generativa. Nesses chips, a empresa ampliou a capacidade e a velocidade das memórias HBM para lidar com volumes maiores de dados e modelos mais complexos.

A Meta também explicou que a estratégia de chiplets ajuda a acelerar a criação de novas versões. Em vez de redesenhar todo o processador a cada geração, a empresa troca apenas partes específicas do chip.

Esse método ajuda a manter um ritmo rápido de atualização do hardware. Nos últimos meses, surgiram informações indicando que a Meta poderia abandonar o desenvolvimento de chips próprios após firmar acordos com a NVIDIA para uso de GPUs.

Mesmo assim, os anúncios mais recentes mostram que a empresa continua apostando em hardware interno para inteligência artificial.

A companhia afirmou que todas as quatro gerações de chips MTIA citadas no plano atual devem entrar em operação entre 2026 e 2027, com o objetivo de reduzir limitações de processamento em seus centros de dados.

Os novos anúncios mostram que a Meta mantém o plano de criar chips próprios para inteligência artificial e pretende ampliar rapidamente essa linha de hardware.

A estratégia inclui quatro gerações da família MTIA em um intervalo curto, com foco em tarefas como recomendação de conteúdo e inferência de IA generativa.

O uso de chiplets ajuda a acelerar o desenvolvimento e permite atualizações frequentes, enquanto a implantação prevista até 2027 busca ampliar a capacidade de processamento nos data centers da empresa.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.