Com a alta nos preços das memórias, funcionários da divisão de memória da Samsung avançaram nas negociações com a empresa.
Os problemas vieram a público em abril, quando trabalhadores foram às ruas pedir um bônus equivalente a 15% do lucro operacional da companhia.
Integrantes do sindicato também ameaçaram uma greve geral de 18 dias, prevista para começar em 21 de maio, caso as exigências não fossem atendidas. Agora, a direção da empresa aceitou parte dos pedidos e concordou com um bônus de 10%.
Samsung e funcionários avançam nas negociações
Segundo integrantes do sindicato e informações do Herald, a direção da Samsung aceitou formalizar o pagamento dos bônus por três anos e depois transformar a medida em algo permanente.
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Em negociações anteriores, a empresa quase concordou em destinar 13% do lucro operacional aos bônus, mas não queria oficializar o modelo.
Os trabalhadores alegam que, mesmo sendo maior que a SK hynix, a Samsung paga bônus equivalentes a apenas 30% do valor distribuído pela rival.
Por isso, o sindicato pediu um bônus de 15% do lucro operacional da divisão de semicondutores, reajustes salariais anuais e o fim do limite de bônus. A direção da Samsung respondeu com uma proposta de bônus de 10% e aumento salarial de 6,2%.
Segundo o Herald, a empresa agora também aceitou oficializar o bônus enquanto os trabalhadores seguem próximos da greve geral marcada para o dia 21 deste mês.

Sindicato mantém pressão antes da greve
Mesmo assim, integrantes do sindicato classificaram a proposta da empresa como uma "tática de divisão" e continuam incentivando os trabalhadores a manter os planos da greve geral.
Pelo cálculo citado na reportagem, 10% do lucro operacional da Samsung representaria cerca de 35 trilhões de wons sul-coreanos em bônus, algo próximo de R$ 145 bilhões na cotação atual.
O valor é bem maior que os 20 trilhões de wons pagos pela SK hynix aos seus funcionários. Nada mal para um "vale-almoço", né? A direção da Samsung também aceitou manter a formalização do bônus por três anos antes de tornar a prática permanente.
Mesmo assim, os funcionários seguem pedindo um percentual maior que o pago pela SK hynix, já que disseram que a Samsung ainda lidera o setor.
O sindicato também quer garantir que todas as divisões da empresa recebam os mesmos valores, evitando novas negociações futuras para a área de memória.
No dia 7, várias corretoras reduziram suas projeções para as ações da Samsung devido à preocupação com o impacto do pagamento dos bônus no lucro operacional da empresa.
O sindicato continua pedindo um bônus de 15%, e estimativas citadas pelo Financial Times apontam que uma greve completa pode gerar custos diretos entre US$ 6,9 bilhões e US$ 11,7 bilhões, algo entre R$ 38 bilhões e R$ 65 bilhões na cotação atual.
