O setor de memória passa por uma mudança importante. Fabricantes de DRAM começaram a buscar contratos de longo prazo com clientes, com duração de vários anos, para assegurar a demanda por seus produtos.
Empresas de tecnologia de grande porte têm demonstrado interesse em fechar esse tipo de acordo com fornecedores como a Samsung Electronics e a Micron Technology.
Esse movimento é considerado incomum dentro da indústria. Segundo informações divulgadas pelo portal sul-coreano EBN, companhias que operam grandes centros de dados, conhecidas como hyperscalers, estão liderando essa iniciativa.
Entre os principais nomes envolvidos estão Google e Microsoft. A proposta desses contratos é definir volumes de fornecimento por vários anos, mantendo os preços de mercado no nível atual. Com isso, fabricantes conseguem prever a demanda futura e planejar melhor a expansão da produção.
De acordo com o relatório, esse modelo ajuda empresas como a Samsung a garantir visibilidade de longo prazo, acelerar investimentos em capacidade e evitar quedas bruscas de preços, como ocorreu em ciclos anteriores, quando houve acúmulo de estoque.
Esse tipo de acordo também reduz incertezas para as empresas que investem na ampliação da produção, diminuindo o risco de investir mais do que o necessário.
Por outro lado, no mercado de consumo, o impacto pode ser negativo. Grande parte da nova capacidade deve ser direcionada ao setor de inteligência artificial, o que pode manter a oferta limitada para outros segmentos por mais tempo.
A demanda por memória DRAM não está ligada apenas à expansão de infraestrutura. O avanço no uso de chips personalizados também influencia esse cenário.
Empresas como o Google, com seus TPUs, a Microsoft, com o Maia, a Meta Platforms, com o MTIA, e a Amazon, com o Trainium, estão ampliando o uso de soluções próprias para tarefas de inferência em inteligência artificial.
Nesse tipo de processamento, não é só o desempenho que importa. Outros fatores entram na conta, como volume de dados processados, custo total por operação e tempo de resposta.
Por isso, chips ASIC ganham espaço como alternativa. Nesse contexto, garantir o fornecimento de memórias avançadas, como HBM, se torna essencial para essas empresas.
Com esse cenário, a previsão inicial de normalização do mercado até meados de 2027 pode não se concretizar. A tendência agora indica que a escassez pode durar mais tempo do que o esperado.
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O mercado de memória caminha para um modelo mais previsível para fabricantes e grandes empresas de tecnologia, mas com impacto direto na disponibilidade para o consumidor comum.
Com contratos de longo prazo e foco crescente em inteligência artificial, a oferta deve continuar pressionada por vários anos.







