O CEO da ASML, Christophe Fouquet, acredita que a demanda gerada pelo projeto Terafab, de Elon Musk, será comparável à de fábricas de semicondutores com capacidade para produzir milhões de wafers por mês.
Em entrevista à Bloomberg, o executivo falou sobre temas que vão de centros de dados no espaço ao momento atual da indústria de semicondutores, impulsionada pela forte procura por infraestrutura de inteligência artificial e pela posição da Europa nessa disputa.
CEO da ASML vê Europa distante da liderança em IA
O projeto Terafab foi anunciado por Musk no início deste ano como parte dos planos para garantir chips voltados às operações de computação de borda e robótica da Tesla.
Na época, o empresário argumentou que a produção atual de semicondutores na Terra não seria suficiente para atender às necessidades da Tesla nem à demanda de futuros centros de dados instalados no espaço.
Menos de um mês depois, a Intel informou que participaria do projeto. Mais tarde, Musk também anunciou que a Tesla utilizaria a tecnologia de fabricação 14A para a produção dos chips. Durante a entrevista à Bloomberg, Christophe Fouquet comentou brevemente sobre o Terafab.
Ao ser questionado se o projeto poderia gerar ganhos para a ASML, ele respondeu que a empresa acompanha de perto essas mudanças para se preparar conforme a demanda surgir. O executivo acrescentou:
"O TeraFab é um exemplo de um grande projeto de fábrica. Se você observar alguns dos projetos de DRAM na Coreia, também verá fábricas com produção de milhões de wafers, o que também é bastante grande."

Ciclo da IA ainda está no início, diz executivo
Fouquet também foi questionado sobre a possibilidade de os centros de dados espaciais voltados à inteligência artificial aumentarem a procura pelos equipamentos da ASML. Em resposta, ele explicou que o principal obstáculo desses projetos está relacionado ao consumo de energia.
"Talvez isso não tenha tanta relação com a capacidade total dos centros de dados, mas sim com a tentativa de resolver outro problema potencialmente grande, que é a energia para os data centers", disse.
Sobre o atual ciclo da indústria de semicondutores, o CEO da ASML avalia que o setor ainda está em estágio inicial.
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Segundo ele, as empresas de IA já demonstravam uma forte procura por chips no ano passado, mas a indústria demorou para reagir a essa necessidade. Ele explicou que a resposta do setor começou apenas no fim do ano passado.
Com isso, os fabricantes de chips precisam ampliar sua capacidade de produção, enquanto a ASML precisa fornecer os equipamentos necessários para essa expansão.
De acordo com Fouquet, esse processo de adaptação ainda levará tempo e, por enquanto, está focado apenas na infraestrutura. As aplicações baseadas em inteligência artificial devem ganhar espaço em uma etapa posterior.
Ao comentar a posição da Europa na corrida da IA, o executivo disse que os Estados Unidos compram cerca de 80% de todos os chips avançados fabricados no mundo e concentram empresas líderes em diferentes áreas do ecossistema de semicondutores voltados à inteligência artificial. Já a Europa, segundo ele, está "possivelmente bastante atrás" do que acontece atualmente no setor.
