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Anthropic pode estar perto de novo avanço em IA que ajuda a criar outros modelos

Anthropic avança em autoaperfeiçoamento de IA, com Claude gerando 90% do código, mas alerta sobre risco de acelerar demais sem controle humano.
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A Anthropic pode estar perto de uma nova etapa no uso de inteligência artificial para desenvolver modelos mais capazes.

Esse processo é chamado de autoaperfeiçoamento recursivo, ou RSI: a IA participa da criação de novas versões de si mesma, que podem ajudar no desenvolvimento das próximas.

A questão é se esse avanço pode ocorrer mais rápido do que a capacidade dos pesquisadores de entender os sistemas e manter seu controle com segurança.

O aviso consta de uma atualização do formulário S-1/A da Anthropic, entregue à SEC, órgão regulador do mercado financeiro dos Estados Unidos, em 2 de novembro de 2026. O documento foi noticiado primeiro pelo TechCrunch.

O que caracteriza essa etapa de desenvolvimento

As projeções internas da Anthropic indicam que modelos futuros podem estar próximos de atingir um dos critérios de sua Política de Escalonamento Responsável, chamada de Responsible Scaling Policy:

"Nossas estimativas internas e nossas expectativas sobre modelos futuros, e não sobre os modelos atuais, indicam que podemos estar perto de atingir a definição de progresso drasticamente acelerado por IA prevista em nossa Política de Escalonamento Responsável."

Anthropic Loop
Anthropic ilustra a evolução do desenvolvimento da IA, desde humanos escrevendo código manualmente até agentes Claude cada vez mais autônomos, capazes de programar, executar tarefas e delegar trabalho. O estágio final retrata um futuro hipotético de autoaperfeiçoamento recursivo , onde Claude poderia construir, treinar e aprimorar continuamente seus próprios sucessores de forma independente .
Crédito da imagem: Anthropic.

Nenhum dos modelos atuais atingiu oficialmente esse nível. Pela política da empresa, isso ocorreria se os sistemas de IA fossem capazes de cumprir uma destas condições:

  • Substituir toda a equipe de pesquisa da Anthropic com custos competitivos.
  • Ajudar a dobrar o ritmo de avanço das capacidades gerais da IA por meio de pesquisa e engenharia automatizadas.

Esse critério é diferente de dobrar a produtividade de cada programador. Atingi-lo também não seria, por si só, o mesmo que ter uma IA capaz de desenvolver versões melhores de si mesma de forma totalmente autônoma.

Claude gerou mais de 90% das contribuições de código

Os dados mais recentes da Anthropic mostram uma participação crescente da IA no desenvolvimento dos modelos seguintes. Em setembro de 2026, mais de 90% das contribuições ao código da empresa foram escritas pelo Claude.

No terceiro trimestre, a quantidade média de código produzida por dia por engenheiro foi mais de 45 vezes a registrada em 2024.

Esses números medem o volume de código, e não um aumento equivalente na produtividade do trabalho de engenharia.

A publicação de pesquisa When AI Builds Itself já detalhava esse uso crescente do Claude em tarefas de programação, experimentos e pesquisa.

Os pesquisadores humanos ainda têm uma vantagem importante na escolha dos objetivos e na avaliação científica mais ampla do trabalho.

CEOs AI
Em setembro de 2026, executivos líderes em IA pediram uma desaceleração no desenvolvimento de IA de ponta, alertando que o rápido avanço das capacidades poderia superar as medidas de segurança existentes. No entanto, apesar desses alertas, suas empresas continuaram desenvolvendo e lançando modelos de IA cada vez mais poderosos, levantando questões sobre a disposição do setor em priorizar a segurança em detrimento da competitividade. Crédito da imagem: Emerald Book.

Supervisão humana continua necessária

Segundo a Anthropic, a aceleração do desenvolvimento pode superar sua capacidade de adotar medidas de segurança, proteção dos sistemas e alinhamento da IA aos objetivos humanos.

A empresa também reconhece que, em ocasiões anteriores, só identificou grandes acelerações depois que elas já tinham ocorrido.

A preocupação já aparecia nos alertas feitos em setembro de 2026 pelo CEO Dario Amodei sobre o autoaperfeiçoamento recursivo.

Na ocasião, ele também defendeu reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados. Mais recentemente, houve uma rápida expansão do uso de IA nas atividades de programação da Anthropic.

Por enquanto, a avaliação da empresa é que não seria seguro deixar o Claude desenvolver sucessivas gerações de modelos avançados de forma autônoma, sem supervisão humana efetiva.

Medidas adicionais de proteção estão em análise para manter o controle humano desse processo. Uma IA capaz de melhorar a si mesma poderia acelerar descobertas científicas e avanços tecnológicos.

O desafio é acompanhar esse ritmo com medidas de segurança à medida que os sistemas ganham mais autonomia na pesquisa.