Inteligência Artificial

DeepMind teria alcançado autoaperfeiçoamento de IA, diz rumor

Rumor sobre DeepMind ter alcançado autoaperfeiçoamento recursivo gera debate; Anthropic, OpenAI e Musk pedem cautela e possível desaceleração da IA.
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Um rumor sugere que a DeepMind, do Google, já teria alcançado o autoaperfeiçoamento recursivo, ou RSI. A capacidade é considerada um dos principais objetivos do desenvolvimento de inteligência artificial.

Nesse processo, uma IA ajuda a construir, programar ou treinar sua próxima versão, com grandes ganhos de escala. No cenário atual, a DeepMind seria a candidata menos provável a chegar a esse ponto.

O rumor surge enquanto Anthropic, OpenAI e Elon Musk defendem um ritmo mais lento para o avanço dos modelos. A aparente coordenação alimenta suspeitas sobre os interesses por trás dessa proposta.

Para os críticos, o discurso de segurança pode servir para limitar a concorrência por meio da regulação, com prejuízos para outros laboratórios, sobretudo os que trabalham com modelos de código aberto.

Amodei cita riscos do autoaperfeiçoamento de IA

A discussão começou com uma carta aberta de Dario Amodei, da Anthropic. Nela, o executivo pede mais cautela no desenvolvimento de IA para manter os novos modelos alinhados à segurança da espécie humana.

Uma de suas principais preocupações é o RSI:

"Minha primeira preocupação é que, desde aproximadamente o verão deste ano no hemisfério norte, a IA passou a avançar muito mais depressa. Isso se deve principalmente à capacidade crescente da IA de construir a próxima geração de IA. Essa dinâmica é chamada de autoaperfeiçoamento recursivo e está começando a acontecer em todo o setor, inclusive na Anthropic, como nós e outras empresas já descrevemos. Sem controle, ela pode avançar além da nossa capacidade de entender e controlar esses sistemas. Por isso, esse caminho precisa ser seguido com muito cuidado, se for seguido."

Amodei também se compromete a reduzir o ritmo de desenvolvimento da Anthropic por iniciativa própria. A empresa daria a uma equipe de avaliadores externos, como a METR, acesso semelhante ao dos funcionários.

A equipe acompanharia o cumprimento das práticas e dos compromissos de segurança, relataria incidentes e ajudaria a avaliar o alinhamento dos modelos, inclusive durante as etapas e os processos de treinamento.

Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceX, aderiram ao pedido pouco depois. Essa sequência sugere algum nível de coordenação entre os principais grupos do setor. A OpenAI chegou a abandonar seus planos de abrir capital na bolsa neste ano.

Sequência de declarações gera desconfiança

Os objetivos declarados da campanha parecem legítimos. Ainda assim, a proposta foi recebida com bastante ceticismo, em parte pela sequência de episódios ligados à Anthropic nos últimos dias.

Tudo veio após o anúncio da OpenAI de que havia encontrado uma solução para o problema matemático de Navier-Stokes, um dos Problemas do Milênio.

Primeiro, Jacob Coxon, da Anthropic, anunciou sua demissão no início da semana. A saída teria sido um protesto contra o avanço sem cautela da empresa rumo a uma superinteligência capaz de se aperfeiçoar.

Depois, Evan Hubinger, responsável pelo alinhamento de modelos na Anthropic, estimou em mais de 10% a chance de a IA matar todos os humanos na próxima década. A carta de Amodei veio na sequência.

Para os céticos, essas manifestações são exageradas e não convencem como justificativa para desacelerar o setor. Um dos argumentos é que o receio de comprometer a segurança do SHA-256 não interrompeu as pesquisas em computação quântica.

Da mesma forma, o medo do bug do milênio não paralisou o desenvolvimento de software. Na visão dos críticos da Anthropic, reduzir o ritmo do avanço tecnológico não é a resposta.

Regulação pode criar barreiras para concorrentes

A proposta da Anthropic e de outros nomes do setor tende a favorecer a chamada captura regulatória: uma situação em que as regras passam a atender aos interesses das empresas já estabelecidas.

Esse cenário teria forte participação dos governos e grandes barreiras para startups e grupos que trabalham com modelos de pesos abertos, como os laboratórios chineses.

Esse pode ser um objetivo não declarado da mobilização. Os modelos chineses continuam ameaçando a liderança da OpenAI e a Anthropic, como a DeepSeek acaba de demonstrar com o V4.1 Flash.

A coincidência entre os alertas da Anthropic sobre RSI e os rumores envolvendo a DeepMind também dá margem a desconfiança sobre a motivação dos pedidos.

Uma hipótese é que Amodei, Altman e Musk queiram evitar que empresas chinesas como DeepSeek, Moonshot e Z.ai alcancem o mesmo nível de capacidade.

Uma desaceleração global dependeria da adesão da China, algo pouco provável no curto prazo. Sem esse acordo, os líderes do setor parecem apostar em barreiras criadas pelos governos para proteger suas posições atuais.

Reduzir o ritmo também faria Anthropic e OpenAI abrir mão de parte da receita. A disposição para aceitar essa perda sugere o quanto a aproximação das empresas chinesas incomoda as duas companhias.