Ações da SMCI sobem 40% no ano, mas Goldman Sachs vê desafios

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Super Micro Computer (SMCI) viu suas ações dispararem cerca de 40% neste ano, mesmo depois de uma forte correção de 30% no meio do caminho.

A empresa, que fabrica servidores e racks de resfriamento líquido para inteligência artificial, tem metas ambiciosas e espera alcançar US$ 40 bilhões em receita anual até 2026, impulsionada pelo crescimento das entregas de produtos baseados na arquitetura Blackwell.

Apesar do bom desempenho recente, a Goldman Sachs decidiu adotar uma postura mais cautelosa em relação às ações da SMCI. O analista Michael Ng apontou que a relação entre risco e retorno da empresa se tornou menos atraente.

Ele destacou que o valor de mercado atual da companhia, com ações sendo negociadas a 16 vezes o lucro esperado para 2025, pode não se sustentar diante de alguns desafios.

Um dos principais pontos de preocupação é a concorrência crescente. Outras empresas do setor estão investindo pesado em pesquisa e desenvolvimento, o que pode diminuir a diferenciação dos produtos da Super Micro Computer.

Além disso, as margens de lucro da companhia devem continuar pressionadas nos próximos anos, principalmente com a transição para os produtos Blackwell e a dependência de poucos clientes e fornecedores de grande porte.

Outro fator relevante é a expectativa de que o prêmio de valorização da SMCI em relação a outras fabricantes de servidores, como a Dell, se reduza ao longo do tempo.

Isso porque a falta de diferenciação no segmento de servidores para inteligência artificial pode limitar a capacidade da empresa de manter uma posição privilegiada no mercado.

Com isso, Goldman Sachs rebaixou a recomendação das ações da SMCI de "neutra" para "venda", reduzindo também a projeção do preço-alvo para US$ 32, um grande corte em relação à estimativa anterior de US$ 40.

Na semana passada, o JP Morgan também manifestou uma opinião semelhante, apontando que a empresa pode enfrentar uma redução das margens em 2026, o que pode frear o crescimento dos lucros, mesmo que a receita continue subindo.

Esse cenário coloca a Super Micro Computer em um momento desafiador. Enquanto o mercado de inteligência artificial segue aquecido e a demanda por servidores avançados cresce, a empresa precisa lidar com a forte concorrência e buscar maneiras de sustentar sua margem de lucro.

Os investidores, por sua vez, devem acompanhar de perto os próximos movimentos da SMCI para entender se o crescimento projetado realmente se concretizará ou se os desafios apontados pelos analistas vão pesar mais no longo prazo.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.