A Ubisoft anunciou uma grande mudança em sua estrutura interna. A empresa cancelou seis projetos, entre eles o remake de Prince of Persia: Sands of Time, adiou outros sete jogos e passou a dividir suas operações em cinco unidades chamadas de Casas Criativas.
Ao mesmo tempo, confirmou novos cortes de pessoal, a redução do trabalho remoto e mais investimentos em tecnologias que incluem inteligência artificial voltada aos jogadores.
Com a nova organização, a Ubisoft deixa o modelo centralizado e passa a funcionar de forma descentralizada. Cada Casa Criativa ficará responsável pelo controle financeiro e pelo comando criativo das marcas e propriedades que estiverem sob sua gestão.
Esses grupos terão apoio de uma rede de estúdios para a produção dos jogos e também de uma área central de serviços, chamada de Core Services, que dará suporte técnico e operacional.
Além da mudança de estrutura, a empresa já iniciou uma nova rodada de demissões. Um comunicado informou o fechamento dos estúdios de Halifax, no Canadá, e de Estocolmo, na Suécia, além de mudanças internas nas unidades de Abu Dhabi, RedLynx e Massive.
Outros cortes ainda devem ocorrer. A terceira e última fase da reorganização será anunciada em 12 de fevereiro de 2026 e deve terminar em março do mesmo ano.
A meta é reduzir custos em cerca de 200 milhões de euros. Outra decisão confirmada foi o retorno obrigatório ao trabalho presencial.
A Ubisoft pretende exigir cinco dias por semana nos escritórios, com apenas um número limitado de dias por ano para trabalho em casa.
Esses dias remotos passam a funcionar como faltas justificadas, parecidas com férias ou licença médica. Segundo a empresa, a presença diária no escritório busca aumentar a troca de conhecimento entre equipes e fortalecer a colaboração.
Em entrevista ao site GamesIndustry.Biz, a vice-presidente sênior de operações de estúdios, Marie Sophie de Waubert, afirmou que o objetivo é melhorar a eficiência, a criatividade e o vínculo entre os funcionários.
Ela disse que cada país ainda vai discutir como aplicar essa regra e qual nível de flexibilidade será possível manter. A nova área de Core Services terá papel central nesse processo.
O grupo ficará responsável por serviços como testes de qualidade, localização de jogos, análises de desempenho e suporte técnico.
Também vai cuidar dos motores gráficos, dos serviços online, da infraestrutura de tecnologia da informação e do uso de inteligência artificial.
O comunicado cita o investimento em "inteligência artificial generativa voltada ao jogador", sem explicar como essa tecnologia será usada nos jogos.
O texto reconhece que esse tipo de recurso ainda não tem aplicação no desenvolvimento atual, mesmo com o interesse de grandes editoras. Todas essas mudanças devem começar a valer a partir de abril de 2026.
Até o fim deste ano, já será possível acompanhar os primeiros resultados dessa reestruturação, que marca uma das maiores transformações recentes na história da Ubisoft.








