CEO da Razer defende uso de IA no desenvolvimento de games

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O CEO da Razer, Min-Liang Tan, disse em entrevista ao site The Verge durante a CES 2026 que fala em nome dos jogadores quando trata do uso de inteligência artificial nos games.

Segundo ele, a maioria dos jogadores não gosta de conteúdos gerados por IA de baixa qualidade, mas aceita o uso de ferramentas de IA que ajudem desenvolvedores a criar jogos melhores. A entrevista ocorreu durante a apresentação dos próximos produtos de IA e GenAI da Razer.

Tan disse que os jogadores estão insatisfeitos com materiais criados de forma automática, com erros visuais e histórias mal escritas, mas que veem com bons olhos tecnologias que ajudem no desenvolvimento dos jogos.

Nos últimos meses, a Razer passou a investir com força em inteligência artificial. A empresa, conhecida por notebooks, cadeiras gamer e acessórios, anunciou um investimento de 600 milhões de dólares em IA para os próximos anos.

A marca também adotou o slogan "IA é o futuro dos games", frase que gerou muitas críticas de jogadores nas redes sociais. Ao comentar a reação negativa, Tan explicou que a rejeição não é contra a tecnologia em si, mas contra o uso mal feito.

Ele disse que não quer ver personagens com erros de modelagem, como dedos a mais, nem histórias mal escritas criadas de forma automática. Para ele, a comunidade é contra conteúdos feitos apenas a partir de poucos comandos, sem cuidado com qualidade.

Por outro lado, Tan afirmou que ferramentas que ajudem os estúdios no processo de criação são bem aceitas. Segundo ele, sistemas de IA podem acelerar testes, encontrar falhas com mais rapidez e ajudar na revisão de textos.

Ele disse que esses recursos podem tornar os jogos melhores e reduzir custos, já que a fase de testes pode consumir até 40% do orçamento de um projeto e causar atrasos no lançamento.

Durante a conversa, o executivo apresentou um produto em desenvolvimento chamado QA Companion AI, criado para apoiar equipes de testes. A proposta é tornar o processo mais rápido, mais eficiente e mais barato, sem substituir o trabalho humano.

Tan também disse que não defende o uso de IA para trocar a criatividade das pessoas. Ele afirmou que o foco da Razer é usar a tecnologia como apoio, não como substituição.

Ainda assim, reconheceu que existem outros motivos para a insatisfação dos jogadores, como o aumento no preço de componentes de computador, incluindo a memória RAM, que também sofre influência da demanda criada por sistemas de IA.

O CEO comparou a situação atual com o período em que placas de vídeo ficaram escassas por causa da mineração de criptomoedas.

Para ele, os jogadores querem apenas jogos mais divertidos, mais envolventes e com melhor qualidade, e acreditam que a IA pode ajudar nesse caminho quando usada no controle de qualidade.

Apesar das promessas, o próprio The Verge apontou que existe uma grande diferença entre o que empresas dizem que suas ferramentas de IA vão fazer e o que elas realmente conseguem entregar hoje.

Mesmo com alguns estúdios testando essas tecnologias, ainda há muitos profissionais da indústria e jogadores que rejeitam o uso de GenAI em qualquer etapa do desenvolvimento.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.