A inteligência artificial tem limites no desenvolvimento de novas tecnologias de fabricação de chips, segundo Y. J. Mii, um dos diretores de operações da TSMC.
Para o executivo, a falta de dados e as restrições de equipamentos e materiais dificultam o uso da IA em processos como o de 1,4 nanômetro.
Mii discutiu o assunto com estudantes da Universidade Nacional de Taiwan. O evento foi organizado pela instituição, pelo United Daily News e pela Fundação de Educação da TSMC.
A conversa veio em meio ao debate sobre IA, após declarações de executivos e notícias sobre programas que agem fora do controle previsto. Mii também abordou fatores que orientam os investimentos da TSMC em processos avançados de fabricação.
Como a TSMC usa inteligência artificial
A TSMC já usa bastante a IA na programação de aplicações. Na avaliação de Mii, essa atividade é relativamente básica em comparação com outras tarefas, e as ferramentas disponíveis já são muito potentes.
Outro uso está no projeto de chips e na automação de projetos eletrônicos, conhecida pela sigla EDA. Synopsys, Cadence e empresas chinesas já utilizam agentes de IA nesse trabalho.
Segundo Mii, a IA é adequada a esse tipo de projeto porque os dados de entrada e de saída são bem definidos. A tecnologia pode facilitar o trabalho humano de otimizar milhões ou bilhões de transistores.
O executivo, que tem ampla experiência nos processos mais avançados da TSMC, vê limitações quando o assunto passa do projeto de chips para o desenvolvimento de novas tecnologias de fabricação.
Por que a IA tem limites nos processos de 1,4nm
A TSMC trabalha no desenvolvimento do processo de 1,4 nanômetro, chamado A14, e de tecnologias abaixo dessa medida, como o A12. Também constrói fábricas para produzir chips com alguns desses processos.
Para Mii, desenvolver essas tecnologias com IA não é viável porque há variáveis ainda desconhecidas. Sem dados disponíveis sobre esses produtos, o trabalho depende de descobertas, o que reduz a contribuição da ferramenta.
Há também restrições físicas. Se os equipamentos e materiais existentes não conseguem atingir determinados objetivos, a IA não consegue superar essas limitações por conta própria.
Decisões humanas, risco de vazamentos e expansão global
Mii comparou a inteligência artificial a um Superman de três anos, com muito poder, mas pouca compreensão dos danos que pode causar. Para ele, as decisões devem ficar apenas nas mãos de pessoas.
O executivo também considera que o compartilhamento de informações com a IA será limitado dentro das empresas por causa do risco de vazamentos.
Sobre a expansão internacional da TSMC, Mii apontou outra dificuldade, encontrar gestores experientes e capazes de liderar equipes globais, um dos principais obstáculos nesse processo.








