O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, vê a TSMC como parceira, e não como rival, mesmo com o trabalho para estruturar um negócio independente de fabricação de chips para outras empresas.
O executivo falou sobre o assunto no podcast A Bit Personal, em entrevista a Jodi Sheldon, fundadora da Global Semiconductor Alliance. A conversa também abordou demissões e sua rotina de trabalho.
Tan assumiu a Intel no ano passado, como mais um CEO encarregado de recuperar a empresa. Sua estratégia tem foco nos produtos e nos clientes.
A Intel tem dificuldades na fabricação de chips avançados, enquanto a AMD ganha participação de mercado e a taiwanesa TSMC mantém o domínio na produção de chips por encomenda.
Relação com TSMC, NVIDIA e AMD
Tan trata outros executivos do setor como parceiros de negócios. Essa visão inclui C. C. Wei, CEO da TSMC, mesmo com a tentativa da Intel de ganhar vantagem na fabricação de chips de ponta.
Na avaliação de Tan, a Intel continuará entre os dez maiores clientes da TSMC. Ele também elogiou a qualidade do atendimento às empresas que projetam chips, mas não têm fábricas próprias.
Segundo o executivo, Wei também considera a Intel uma parceira, pois acredita que a TSMC não conseguirá atender a toda a demanda por chips de inteligência artificial.
Tan também admira Morris Chang, fundador da TSMC, conhecido por seus comentários duros sobre o setor de semicondutores. Ele foi à Computex especificamente para almoçar com Chang.
Durante o encontro, Tan disse que, sem a TSMC, o setor de chips não teria crescido. Cada empresa de projetos teria de construir sua própria fábrica, o que causaria grandes impactos nos lucros.
A mesma postura está presente na relação com Jensen Huang, CEO da NVIDIA. Tan contou que algumas pessoas estranharam a aproximação, já que Huang era visto como concorrente.
A estratégia deu certo, e a NVIDIA investiu US$ 5 bilhões na Intel. O valor equivale a cerca de R$ 25,87 bilhões.
Lisa Su, CEO da AMD, é outra executiva que Tan não considera rival. Ele a descreveu como uma amiga próxima e contou que ela comprou três de suas empresas quando ele atuava no setor de investimentos.
Respeito nas demissões e pressão no comando da Intel
Antes da Intel, Tan conduziu a recuperação da Cadence e comandou um negócio bem-sucedido de investimento em empresas. Ao falar desse período, defendeu respeito e cuidado nas demissões.
Como exemplo de que essa postura funcionou, ele contou que algumas pessoas dispensadas continuam suas amigas. Parte delas voltou a fazer negócios com ele como investidores.
Para Tan, todos cometem erros e têm limitações. Por isso, considera importante tratar as pessoas com respeito e fazer o que é certo.
O executivo também falou da pressão de recuperar uma empresa. No primeiro mês à frente da Intel, teve dificuldade para dormir por causa da responsabilidade pelos funcionários e do medo de errar.
Nesse contexto, lembrou um conselho de Moshe Gavrielov, ex-CEO da Xilinx: se acertasse 70% das decisões, já seria um bom CEO.
Logo após assumir a Intel, Tan chegou a participar de 22 reuniões por dia, seu recorde pessoal. Desde então, reduziu o ritmo e hoje mantém entre dez e 12 reuniões diárias.








