Riot Games teria tentado comprar Ashes of Creation, e CEO move contra-ação na Justiça

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A disputa judicial envolvendo o MMORPG Ashes of Creation voltou a ganhar novos capítulos e ampliou a crise em torno do estúdio Intrepid Studios, de seu fundador e CEO Steven Sharif e de investidores como Robert Dawson e Jason Caramanis.

Nos últimos meses, Jason Caramanis acusou publicamente Steven Sharif de fraude, desvio de dinheiro e outras práticas ilegais.

Ele citou a existência de vários processos judiciais, incluindo uma ação movida pela TFE Games Holdings contra Sharif e seu marido, John Moore, em 9 de fevereiro de 2026, no Tribunal Distrital de Nevada, no Condado de Clark.

Dias depois, Sharif reagiu com uma contra-ação na Justiça Federal dos Estados Unidos, no Distrito Sul da Califórnia. O processo é direcionado contra Robert Dawson e outros envolvidos, entre eles a TFE Games Holdings LLC, empresa registrada em Delaware e controlada por Dawson.

Segundo o documento, essa companhia teria sido criada com o objetivo de receber, explorar e lucrar com segredos comerciais e propriedades intelectuais da Intrepid. Um dos pontos mais comentados do novo processo envolve uma possível tentativa de compra do estúdio.

De acordo com os autos, entre o fim de 2022 e o início de 2023, uma grande desenvolvedora de jogos teria oferecido centenas de milhões de dólares para adquirir Ashes of Creation e a Intrepid Studios.

Ainda conforme a versão apresentada por Sharif, Dawson teria aconselhado a recusa da proposta, defendendo que o projeto continuasse sob seu próprio financiamento. As negociações teriam sido encerradas depois disso.

O nome da empresa interessada não aparece oficialmente no processo. Porém, em entrevista ao criador de conteúdo NefasQS, Jason Caramanis afirmou que a única empresa com a qual houve diálogo foi a Riot Games.

A informação não foi confirmada de forma oficial nos autos. A Riot Games trabalha há anos em um MMO baseado em League of Legends.

O projeto foi reiniciado em março de 2024, e até o momento não houve divulgação de detalhes concretos sobre seu andamento. Na contra-ação, Sharif aponta que a proposta de compra marcou uma mudança na relação com Dawson.

Segundo ele, ao enxergar um potencial alto de retorno financeiro, o investidor teria iniciado um movimento para assumir o controle da empresa, sem considerar o ritmo comum de produção de MMORPGs e o estágio de desenvolvimento do jogo. Sharif disse que, entre o início de 2023 e maio de 2024, sofreu pressão constante.

Ele alega que Dawson ameaçava suspender recursos destinados à folha de pagamento e ao plano de saúde pouco antes dos prazos de pagamento, além de mencionar a possibilidade de fechar a empresa por meio de disputas judiciais e causar prejuízos pessoais ao fundador, caso ele não assinasse documentos que ampliavam gradualmente a participação e o controle do investidor.

Entre as exigências citadas estão a emissão de um título que daria a Dawson 10% da empresa pelo valor simbólico de 10 dólares, opções de participação sem custo e sem diluição vinculadas a notas conversíveis, além da exigência de participação em todas as conversas com os advogados da companhia.

O processo também afirma que Dawson teria se apresentado como agente da empresa para manter contato com o escritório jurídico.

Sharif declara que a situação afetou sua saúde, relatando emergência hipertensiva, falência renal aguda, internação hospitalar e perda de visão causada por complicações de pressão alta, incluindo edema macular.

Após conversões de dívida em participação acionária previstas em um acordo firmado em maio de 2024, Dawson passou a deter cerca de 58% das ações da Intrepid Studios, tornando-se o principal acionista.

Mesmo assim, o acordo teria mantido com Sharif o controle criativo do estúdio, enquanto Dawson assumiu controle financeiro e administrativo.

Em reunião do conselho realizada em 4 de setembro de 2024, Dawson foi nomeado presidente do conselho, e Ryan Ogden assumiu como diretor financeiro.

Segundo a ação, novas contas bancárias foram abertas no Pathway Bank, instituição que, de acordo com o processo, estaria sob controle direto ou indireto de Dawson. A partir desse momento, Sharif teria perdido acesso às contas ativas da empresa.

Em agosto de 2025, Theresa Fette e Aaron Bartels passaram a integrar o conselho. Até a renúncia formal de Sharif, em 19 de janeiro de 2026, o grupo era formado por Dawson, Ogden, Fette, Bartels e o próprio Sharif.

Ele sustenta que os demais integrantes atuavam alinhados aos interesses de Dawson. O lançamento em acesso antecipado de Ashes of Creation também entrou na disputa.

Sharif afirma que a decisão de antecipar a liberação foi imposta pelo conselho, mesmo com resistência da liderança do projeto.

O processo informa que, antes da interferência do conselho, o jogo registrava taxa de retenção de cerca de 76% após 30 dias.

Outro ponto envolve receitas obtidas na plataforma Steam. De acordo com a ação, Ryan Ogden teria garantido ao CommerceWest Bank que a arrecadação do acesso antecipado cobraria obrigações de um empréstimo em aberto.

Jason Caramanis havia acusado Sharif de direcionar valores da Steam para quitar uma dívida de 6 milhões de dólares garantida pessoalmente por seu marido, John Moore. As duas versões concordam quanto à garantia apresentada ao banco, mas os valores ainda estariam bloqueados.

Antes da execução da garantia, Ogden teria solicitado à Valve que redirecionasse os valores da Steam para uma nova conta no Pathway Bank vinculada à TFE. A Valve não teria aceitado a mudança.

Em 3 de fevereiro de 2026, a empresa encerrou a parceria da Intrepid com a Steam, citando pedidos conflitantes de alteração de dados bancários, reivindicações de credores e grande volume de solicitações de reembolso por parte de jogadores. Segundo o processo, antes dos reembolsos, a Intrepid teria direito a aproximadamente 5 milhões de dólares em receitas da plataforma.

A contra-ação de Sharif lista oito supostas violações legais, incluindo apropriação indevida de segredos comerciais sob lei federal e da Califórnia, irregularidades em processo de execução de garantias, quebra de dever fiduciário por membros do conselho, facilitação dessas quebras pela TFE, desperdício de ativos corporativos, danos emocionais intencionais e conspiração civil para desviar propriedade intelectual e atribuir responsabilidade pública a Sharif.

Entre os pedidos feitos à Justiça estão a proibição de uso ou venda de segredos comerciais ligados a Ashes of Creation, anulação da execução considerada irregular, pagamento de indenizações, devolução de lucros, afastamento do conselho, criação de tutela sobre ativos e cobertura de honorários advocatícios.

O próprio Steven Sharif participou do chat de um vídeo publicado por NefasQS no YouTube. Ele declarou que busca responsabilização máxima dos envolvidos e que não pretende discutir o caso na esfera pública, afirmando que a verdade será definida na Justiça Federal, onde, segundo ele, há exigência maior de comprovação dos fatos.

Sharif também disse que não teria assinado o documento se não tivesse convicção sobre o conteúdo apresentado. O conflito judicial envolvendo Ashes of Creation segue em andamento nos Estados Unidos e ainda deve trazer novos desdobramentos.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.