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Micron culpa Apple pela crise no mercado de memória

A Apple aumentou preços de produtos enquanto negociava custos menores com fornecedores, contribuindo para falta de capacidade de produção de chips de memória.
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A Apple tem citado o aumento no preço das memórias como um dos motivos para os reajustes aplicados em seus produtos nos últimos meses.

Agora, a Micron rebate esse argumento e diz que a própria estratégia da fabricante do iPhone ajudou a criar a atual falta de capacidade de produção no mercado.

Micron diz que alertou Apple sobre política de preços

Segundo o diretor comercial da Micron, Sumit Sadana, a empresa avisou alguns clientes, há alguns anos, que a postura considerada "agressiva" nas negociações de preços não era positiva para o setor.

Sem citar a Apple diretamente, o executivo comentou que a Micron informou a determinados clientes que essa estratégia "não era construtiva".

De acordo com ele, durante um período de baixa no mercado de memória, alguns compradores aproveitaram os preços muito baixos para pagar valores mínimos pelos chips.

Sadana explicou que essa situação afetou diretamente a rentabilidade das fabricantes de memória. Segundo ele:

"Grande parte dos investimentos da indústria foi interrompida em 2023 por causa dos preços muito baixos e das margens muito reduzidas."

Na avaliação da Micron, essa pressão por preços menores contribuiu para reduzir os investimentos em expansão da capacidade de produção, cenário que hoje influencia a oferta de chips de memória.

Apple aumentou preços enquanto negociava custos menores

Nos últimos anos, a Apple adotou uma estratégia de negociar reduções de preço com fornecedores ao mesmo tempo em que aumentava o valor de seus próprios produtos, segundo o texto original. Um exemplo citado é o modelo mais caro do iPhone.

Em 2016, o iPhone 7 Plus chegou ao mercado por US$ 749, enquanto o iPhone 17 Pro Max foi lançado em 2025 por US$ 1.199. Considerando a cotação atual, esses valores equivalem a cerca de R$ 4.100 e R$ 6.600, respectivamente.

No mesmo período, o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos acumulou alta de aproximadamente 37%, enquanto o preço do modelo mais avançado do iPhone aumentou cerca de 60%.

Mesmo com o aumento nos custos de componentes, o texto cita uma estimativa recente do JP Morgan indicando que a margem da Apple deve permanecer em torno de 45% em 2027.

Por outro lado, a Micron também registrou números elevados. Segundo o texto, a empresa encerrou seu trimestre mais recente com margem bruta de 85%.

Com isso, o próprio artigo observa que a fabricante de memória já não pode atribuir todos os problemas atuais de capacidade apenas à Apple, ainda que a estratégia da empresa tenha contribuído para o cenário descrito alguns anos antes.

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