Lip-Bu Tan, CEO da Intel, considera que a computação quântica precisa atender a necessidades reais do mercado para se tornar viável.
No podcast QuantumJane, o executivo falou sobre seus investimentos no setor e o uso de inteligência artificial na rotina. Também citou tecnologias que acompanha para o futuro dos chips.
Tan usou dinheiro próprio para investir em empresas de computação quântica, em vez de recursos da gestora de capital de risco que comandava.
Agentes de IA fazem parte da rotina de Tan
A conversa começou com o uso de agentes de IA. Tan não soube dizer quantos utiliza, mas contou que recorre a eles para fazer todo o trabalho de pesquisa.
Logo pela manhã, sua primeira tarefa é conferir o andamento dessas atividades. Ele elogiou os agentes e explicou que, com eles, precisa de menos assistentes para suas pesquisas.
O executivo também tem demonstrado otimismo com essa tecnologia nas apresentações de balanços da Intel. Para ele, os agentes podem ampliar a demanda por CPUs com a expansão da infraestrutura de IA.
A IA tradicional costuma ser associada a grandes modelos de linguagem, os LLMs, como os usados em ChatGPT e Grok. Já os agentes tomam decisões de forma autônoma para definir metas e executar ações.
Essas ferramentas podem custar caro. O Grok Bot, da SpaceXAI, faz parte de pacotes que chegam a US$ 300 por mês, cerca de R$ 1.564 na conversão direta.
A conversão considera o dólar a R$ 5,2132, pela cotação de venda do Banco Central de 28 de setembro de 2026.
IonQ foi o primeiro investimento de Tan em computação quântica
A IonQ foi a primeira empresa de computação quântica em que Tan investiu. A companhia trabalha com íons aprisionados, uma técnica que usa átomos suspensos no vácuo.
Esses átomos funcionam como qubits, as unidades de informação da computação quântica. Assim, a IonQ utiliza átomos naturais no lugar de qubits artificiais.
Segundo a empresa, essa abordagem pode preservar por mais tempo os estados frágeis dos qubits e viabilizar cálculos mais complexos.
A IonQ também avalia que o método pode reduzir bastante os custos de resfriamento dos processadores e diminuir a quantidade de portas lógicas necessárias para as operações.
Na computação clássica e na quântica, portas lógicas são operações que recebem dados de entrada, processam essas informações e produzem uma saída.
O interesse de Tan surgiu após o contato do fundador da IonQ, um empreendedor coreano. O executivo achou interessante o conceito de íons aprisionados.
Nesse processo, a IonQ usa um laser para retirar um elétron de átomos neutros de itérbio. Com isso, eles se tornam íons positivos. Como tinha dúvidas sobre o retorno financeiro, Tan decidiu comprar ações com dinheiro próprio.
Após a entrada da IonQ na bolsa, vendeu metade de sua participação. Ele mantém a outra metade e continua acompanhando as atividades da empresa.

Computação quântica com luz atrai investimentos
Enquanto a IonQ usa átomos de itérbio como qubits, a PsiQuantum utiliza fótons, as partículas de luz. Tan também investiu nessa empresa.
A PsiQuantum fabrica seus chips fotônicos de silício em linhas tradicionais de produção de microprocessadores. Essa ligação com a fabricação de chips ajuda a explicar o interesse do executivo.
Patrick Gelsinger, ex-CEO da Intel, também tem uma relação com a PsiQuantum. Ele é sócio da Playground Global, uma das primeiras investidoras da companhia.
Entre as vantagens da abordagem com fótons estão a dispensa de conversores de sinal e a transferência de dados por fibra óptica.
O sistema também opera mais depressa que os baseados em íons aprisionados. O resfriamento só é necessário nos detectores de fótons, que precisam de temperaturas extremamente baixas.
Para Tan, os fótons facilitam o controle da direção e da posição, além de melhorar as conexões em rede. Ele também considera essa abordagem muito mais fácil de ampliar.
Esses fatores motivaram seu investimento na PsiQuantum. Depois, Tan entrou para o conselho, após seu amigo Victor Peng, ex-CEO da Xilinx, decidir assumir o comando da empresa de forma permanente.
Demanda real é essencial para a computação quântica
Na área de software, Tan elogiou a israelense Classic, empresa de engenharia de software quântico. Segundo ele, a companhia quer ocupar nesse setor um papel semelhante ao da Cadence.
O executivo considera que a Classic tem uma visão bem definida de seus clientes e mercados, com aplicações em química, medicina e outras áreas. Na avaliação de Tan, a expansão da computação quântica depende das aplicações escolhidas.
Ele vê uma boa chance de sucesso quando a tecnologia é direcionada ao uso adequado. Outro ponto que recebeu seus elogios foi a integração entre computação clássica e quântica para resolver problemas.

Novos materiais e resfriamento de chips também estão no radar
Tan citou ainda o carbeto de silício e o fosfeto de índio entre as tecnologias que acompanha, em um momento em que o CMOS se aproxima de seus limites.
A sigla CMOS se refere à tecnologia de semicondutores complementares de metal-óxido, usada como base na fabricação dos chips modernos.
Entre suas limitações estão a baixa tolerância a temperaturas acima de 150 °C e a incapacidade de lidar com altas tensões elétricas. Nesse cenário, os dois materiais ganham espaço como alternativas.
O executivo também demonstrou interesse no resfriamento por microfluidos e nos diamantes artificiais. O resfriamento por microfluidos muda a forma de retirar calor dos chips em data centers.
Nesse método, canais microscópicos são gravados diretamente na estrutura do chip. Em comparação com os chips tradicionais, isso deixa o líquido de resfriamento muito mais próximo dos transistores ativos.
Já os diamantes artificiais ganham relevância na fabricação de semicondutores por conduzirem calor muito melhor que materiais tradicionais e resistirem mais à ruptura do isolamento elétrico.








