Jogadores encontram arte gerada por IA em Crimson Desert e estúdio responde

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O lançamento de Crimson Desert aconteceu recentemente após vários adiamentos e anos de espera. Desde então, a recepção do público e da crítica tem sido dividida.

O jogo já ultrapassou a marca de 2 milhões de cópias vendidas, mas a avaliação geral mostra opiniões diferentes. No Metacritic, a média ficou em 78 pontos, enquanto na Steam as avaliações começaram como "Mistas" e depois passaram para "Majoritariamente Positivas".

Mesmo com o bom volume de vendas, o jogo recebeu duras críticas logo antes do lançamento por incluir o sistema antipirataria Denuvo apenas uma semana antes da estreia.

Pouco depois, outra polêmica começou a ganhar força quando jogadores identificaram o que parecia ser arte criada por inteligência artificial dentro do jogo. Uma das imagens mais comentadas foi compartilhada no Reddit pelo usuário Rex_Spy.

Recurso artístico GenAI do Deserto Carmesim
Crédito da imagem: Rex_Spy no Reddit.

A pintura, que deveria representar uma batalha histórica no mundo fictício de Pywell, chamou atenção por apresentar elementos visuais considerados estranhos, como rostos humanos com poucos detalhes e partes do corpo que não parecem se encaixar corretamente.

Para muitos jogadores, essas características indicam o uso de ferramentas de geração de imagem por inteligência artificial.

Outros usuários também relataram exemplos semelhantes, com pinturas dentro do jogo que apresentam inconsistências visuais comuns em imagens criadas por IA.

Esses casos aumentaram as críticas direcionadas à desenvolvedora Pearl Abyss, principalmente porque a página do jogo na Steam inicialmente não informava o uso desse tipo de tecnologia.

Desde 2024, a Valve Corporation passou a exigir que desenvolvedores informem quando utilizam conteúdo criado por inteligência artificial.

Porém, a responsabilidade pela divulgação é das próprias empresas. Isso gerou questionamentos sobre a transparência no desenvolvimento de jogos e sobre como essa política funciona na prática.

Em nota publicada em 22 de março de 2026, a Pearl Abyss confirmou que utilizou ferramentas de inteligência artificial generativa em alguns elementos artísticos identificados pelos jogadores.

A empresa também adicionou um aviso na página do jogo na Steam, informação registrada pelo SteamDB. Segundo a desenvolvedora, os materiais foram criados durante as fases iniciais do desenvolvimento, com ferramentas experimentais de geração de imagem.

A ideia era testar rapidamente o tom e a atmosfera do jogo enquanto a produção ainda estava em andamento. A empresa afirmou que esses elementos seriam substituídos posteriormente, mas isso não aconteceu antes do lançamento.

A Pearl Abyss assumiu responsabilidade pela presença dessas imagens na versão final e pediu desculpas por não ter informado o uso da tecnologia desde o início.

Além disso, o estúdio informou que iniciou uma revisão completa de todos os conteúdos do jogo para localizar e substituir qualquer outro material criado por IA que ainda esteja presente.

Também foi iniciada uma análise interna dos processos de comunicação com os jogadores, com o objetivo de tornar as informações mais claras no futuro.

Debate sobre transparência e uso de IA em jogos

O uso de inteligência artificial no desenvolvimento de jogos segue gerando discussões entre desenvolvedores e jogadores.

Uma pesquisa recente indicou que a maioria dos profissionais do setor acredita que deve haver divulgação quando esse tipo de tecnologia é utilizado, mas não existe consenso sobre como isso deve ser feito.

Muitos desenvolvedores também apontam falhas no modelo atual adotado pela Valve. Enquanto isso, jogadores continuam atentos para encontrar outros exemplos semelhantes em Crimson Desert.

Ainda não há confirmação se todos os conteúdos serão substituídos ou se alguns permanecerão com apenas o aviso na página do jogo.

Apesar da controvérsia, esses elementos visuais não alteram diretamente a jogabilidade. O mundo aberto de Pywell oferece diversas atividades, e as pinturas aparecem apenas como parte do cenário.

Crimson Desert chegou ao mercado com boas vendas, mas também com críticas relacionadas ao uso de inteligência artificial em elementos artísticos.

Após a reação da comunidade, a Pearl Abyss confirmou o uso da tecnologia, adicionou aviso na Steam e iniciou uma revisão interna para substituir os conteúdos identificados.

O caso reforça o debate sobre transparência no uso de IA no desenvolvimento de jogos, tema que segue ganhando espaço na indústria.

Romário Leite
Fundador do TecFoco. Atua na área de tecnologia há mais de 10 anos, com rotina constante de criação de conteúdo, análise técnica e desenvolvimento de código. Tem ampla experiência com linguagens de programação, sistemas e jogos. Estudou nas universidades UNIPÊ e FIS, tendo passagem também pela UFPB e UEPB. Hoje, usa todo seu conhecimento e experiência para produzir conteúdo focado em tecnologia.