Quem joga há bastante tempo já deve saber a política da Nintendo quando o assunto é desconto em jogos exclusivos: quase nunca acontece. Na maioria dos casos, os títulos da empresa continuam com preço cheio até anos depois do lançamento.
Enquanto isso, outras plataformas, como consoles da Sony, Microsoft e o PC, costumam fazer promoções frequentes até nos jogos mais populares. O ex-presidente e CEO da Nintendo of America, Reggie Fils-Aimé, deu sua própria explicação sobre isso.
Durante uma conversa recente com o analista de games Joost Van Dreunen, na série de palestras do NYU Game Center, o executivo relacionou a estratégia às origens da Nintendo em Kyoto, no Japão.
"A mentalidade da Nintendo é a seguinte: estamos entregando um jogo completo. Ele já está pronto para jogar. Não existe aquela atualização de lançamento que leva três horas para baixar. Então parte disso vem de uma mentalidade diferente. É assim que eles pensam. Eu comparo isso à ideia do artesanato de Kyoto. A empresa fica sediada em Kyoto. Para quem conhece a história do Japão, era a antiga capital imperial e uma cidade conhecida pelo artesanato de alta qualidade, como tecidos, porcelanas e cerâmica."
Segundo Reggie, a Nintendo segue essa mesma linha de pensamento na criação dos jogos.
"Tenho convicção de que a Nintendo, como empresa, possui essa mesma mentalidade. Vamos criar os melhores jogos, lançar tudo completo e, como resultado, acontece algo que às vezes gera reclamações dos consumidores: nós não damos desconto nos jogos. The Legend of Zelda: Breath of the Wild nunca recebeu redução oficial de preço desde o lançamento. Nunca entrou em promoção pela empresa. Em alguns casos, varejistas podem fazer algo por conta própria, mas a Nintendo não reduz o valor. Isso faz parte do processo: vamos fazer o melhor jogo possível, lançar tudo completo e cobrar um preço considerado justo. E esse preço nunca vai mudar."
Concordando ou não com essa filosofia, a explicação de Reggie ajuda a entender que a política rígida de preços da Nintendo faz parte da cultura da empresa, e não apenas de uma estratégia comercial.
Ainda assim, muita gente provavelmente gostaria de ver a companhia um pouco mais flexível — afinal, ser fã da Nintendo pode pesar bastante no bolso. Mario até salva o reino, mas desconto mesmo ele ainda não encontrou.
