A IDC divulgou um novo relatório sobre o mercado de computadores pessoais e reduziu de forma expressiva sua previsão de envios globais.
A revisão acontece em meio a incertezas na cadeia de suprimentos e a um cenário mais complicado do que o esperado para o setor.
De acordo com a análise mais recente, as remessas de PCs devem cair 11,3% neste ano, um número bem acima da estimativa anterior divulgada em novembro.
Um dos principais fatores por trás dessa queda é a escassez de memória DRAM, que passou a afetar de forma mais ampla o segmento de computadores para o consumidor.
A dificuldade em garantir capacidade de produção tem levado fabricantes a antecipar lançamentos como forma de atravessar esse período mais instável.
Além disso, o conflito em andamento no Oriente Médio também aparece como mais um ponto de pressão para as empresas do setor.
Segundo Ryan Reith, vice-presidente do grupo de dispositivos e consumo da IDC, a indústria de tecnologia enfrenta uma série de fatores fora de controle que, somados, causam grandes impactos.
Ele disse que a quantidade crescente de eventos industriais e geopolíticos tem tornado decisões estratégicas e até a continuidade de alguns segmentos algo extremamente difícil.
O relatório aponta que as fabricantes já começaram a adotar medidas para lidar com o cenário atual. Uma das principais é o aumento de preços.
O valor médio de venda dos produtos está subindo rapidamente, o que deve levar o mercado total de PCs a atingir cerca de 274 bilhões de dólares, com crescimento modesto de 1,6%.
Apesar desse avanço em valor, o movimento indica que a fase de computadores mais baratos está perto do fim. Com o aumento dos custos de produção, empresas e parceiros da cadeia devem repassar esses gastos ao consumidor.

A IDC também indica que a escassez de memória deve continuar até 2027. Existe a expectativa de alguma redução nos preços a partir de 2028, mas dificilmente o mercado voltará aos níveis registrados em 2025.
A tendência é de um novo padrão com preços médios mais altos e uma possível redução gradual na demanda ao longo do tempo.
Outras ações adotadas pelas empresas incluem a redução das especificações de alguns produtos e a diversificação de fornecedores. Ainda assim, os efeitos dessas decisões só devem aparecer nos próximos anos.
A demanda por memória no setor corporativo segue em alta, o que mantém os preços pressionados e limita as alternativas das fabricantes.
Empresas como ASUS, HP e Dell acabam tendo poucas opções além de ajustar os preços para acompanhar os custos da DRAM.
Ao mesmo tempo, muitas delas já começaram a direcionar mais atenção ao mercado corporativo como forma de compensar a possível queda nas vendas para consumidores.
O relatório mostra que o mercado de PCs deve continuar pressionado nos próximos anos, com queda nas vendas, aumento de preços e mudanças na estratégia das fabricantes. A normalização desse cenário ainda não tem prazo definido.








