Um executivo da Intel voltou a comentar sobre a falta de processadores no mercado, indicando que o problema afeta tanto o público comum quanto empresas.
Segundo a companhia, a dificuldade no fornecimento já impacta parceiros de venda, fabricantes e clientes ligados a inteligência artificial.
A indústria de PCs passa por um período de oferta limitada não só de CPUs, mas também de GPUs e memórias. Nesse cenário, o aumento da demanda empresarial tem pressionado a cadeia de produção.
Durante uma apresentação de resultados, o diretor financeiro David Zinsner informou que a empresa não consegue atender totalmente pedidos de grandes clientes de computação em nuvem.
De acordo com Dave Guzzi, responsável pelo canal global da empresa, o impacto é geral. Ele disse que parceiros de diferentes áreas estão recebendo menos produtos do que o esperado, incluindo provedores de serviços em nuvem, fabricantes e integradores de sistemas.
Nos últimos meses, a procura por CPUs aumentou de forma intensa. Isso está ligado ao crescimento de aplicações de inteligência artificial que operam apenas com processadores, sem uso de GPU.
Nesse contexto, modelos mais antigos da linha Xeon Sapphire Rapids seguem bastante usados por empresas, já que são vistos como mais confiáveis em comparação com gerações mais novas. Essa situação criou um novo dilema para a Intel.
A empresa precisa decidir entre ampliar a produção de tecnologias mais antigas, como o processo Intel 7, ou focar em soluções mais recentes, como Intel 3 e 18A, apostando que o mercado corporativo migre para essas plataformas mais novas.
Ao mesmo tempo, consumidores também têm buscado processadores da geração Raptor Lake. Isso acontece porque muitos usuários estão antecipando compras diante das incertezas no mercado de PCs.
Como esses chips também utilizam o processo Intel 7, a empresa enfrenta dificuldade para equilibrar a produção entre o público doméstico e os data centers.
Mesmo com essa divisão, a Intel já definiu sua prioridade. A produção voltada para empresas e data centers deve receber mais atenção, já que esse segmento gera maior volume de pedidos e retorno financeiro.
A empresa disse que o problema não está concentrado em um único cliente, mas sim distribuído por todo o mercado. A orientação para parceiros é aguardar enquanto a companhia tenta ajustar a produção.
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Sobre os preços, a tendência é de aumento, mas sem chegar ao nível observado durante a crise de memórias DRAM. Ainda assim, a limitação na oferta pode levar a reajustes ao longo do tempo.
A escassez de CPUs mostra como a demanda por inteligência artificial e serviços em nuvem está mudando o mercado de tecnologia.
Com mais pedidos vindos de empresas, a Intel direciona sua produção para esse setor, o que reduz a disponibilidade para consumidores e pressiona os preços.








