No mês passado, a Bungie lançou seu primeiro jogo inédito em anos (que, tecnicamente, é um reboot de uma série antiga).
Marathon, um novo extraction shooter para PC, PS5 e Xbox Series X/S, retoma o primeiro universo de ficção científica criado pela Bungie e o traz para o cenário atual dos jogos.
De acordo com um novo relatório de Paul Tassi, da Forbes, o estúdio destinou um orçamento elevado para o desenvolvimento do título.
Em um relatório que analisa o primeiro mês de Marathon no mercado e nas mãos dos jogadores, ao final de uma lista com diferentes métricas do jogo, Tassi escreveu:
"Posso confirmar que o orçamento de Marathon ultrapassa US$ 200 milhões. Provavelmente mais de US$ 250 milhões. Isso não inclui custos contínuos de manutenção e novos conteúdos".
Convertendo para a cotação atual, US$ 250 milhões representam cerca de R$ 1,3 bilhão. Esse valor não considera gastos futuros com servidores, atualizações e novos conteúdos.
É um valor alto, mas não chega a ser incomum. Em 2023, Marvel's Spider-Man 2 teve custo aproximado de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão).
No mês passado, um relatório de Jason Schreier, da Bloomberg, indicou que a maioria dos jogos AAA já ultrapassa US$ 300 milhões em orçamento, com grande parte desse valor destinada a salários de desenvolvedores.
Todos os anos, a Activision investe centenas de milhões na produção dos títulos anuais de Call of Duty. A diferença, porém, é que Call of Duty costuma ter retorno garantido e novos lançamentos anuais. No caso de Marathon, não existe a mesma previsibilidade.
Nos últimos anos, diversos jogos como serviço, com custos elevados, foram lançados por grandes estúdios e encerrados rapidamente — alguns após um ano, outros em poucos meses ou até semanas.
Esse cenário levanta dúvidas sobre a capacidade de sobrevivência de novos shooters que não fazem parte das maiores franquias do setor.
Esse é o contexto que envolve Marathon. As discussões sobre números simultâneos no Steam e vendas estimadas — que teriam ultrapassado 1,2 milhão de cópias — reforçam essa incerteza.
O jogo pode ser considerado bem-sucedido ao atingir mais de um milhão de unidades, mas ainda há dúvidas se isso é suficiente para cobrir o alto investimento.
Caso o retorno financeiro não atinja as expectativas, surgem questionamentos sobre possíveis demissões na Bungie. Também existe a possibilidade de a Sony adotar medidas semelhantes às tomadas com outros estúdios, caso as metas não sejam alcançadas.
Esse cenário ganha mais atenção considerando que Destiny 2 já vinha tendo dificuldades antes do lançamento de Marathon.
Após o fechamento da Bluepoint Games, cresce a percepção de que nenhum estúdio está totalmente seguro. Não se trata de uma possibilidade imediata, mas o cenário atual do mercado mantém essa hipótese em discussão.
Quanto a Marathon, o autor afirma que ficaria decepcionado caso o jogo fosse encerrado, mencionando sua análise publicada anteriormente.
O orçamento elevado de Marathon mostra o aumento dos custos na indústria de jogos AAA, principalmente em títulos como serviço.
Mesmo com vendas iniciais relevantes, o desempenho a longo prazo ainda será decisivo para o futuro do jogo e da própria Bungie dentro da estrutura da Sony.