A Apple está acelerando a produção nos Estados Unidos em meio a tensões comerciais e riscos geopolíticos que envolvem a Ásia.
A fábrica da empresa em Houston, no Texas, já produz cerca de 10 servidores por hora, e a companhia também planeja levar para o mesmo local a fabricação do Mac mini.
A ampliação da produção em solo americano faz parte de uma estratégia mais ampla adotada pela empresa nos últimos anos.
Em 2025, a Apple passou a reorganizar sua cadeia de produção depois de enfrentar tarifas de importação aplicadas pelo governo de Donald Trump. Em um primeiro momento, a companhia transferiu a principal fabricação do iPhone da China para a Índia.
Depois, quando novas tarifas atingiram produtos vindos da Índia, a empresa conseguiu uma isenção ao assumir o compromisso de investir US$ 600 bilhões nos Estados Unidos ao longo de quatro anos.
Esse investimento inclui a criação de uma cadeia completa de fornecimento de silício dentro do país, com participação de empresas como GlobalWafers America, Texas Instruments, Samsung e Amkor.
A Apple também ampliou acordos com a Corning para adquirir vidro produzido nos Estados Unidos e iniciou a construção de uma fábrica de servidores de inteligência artificial em Houston.
Além disso, a empresa trabalha na expansão de seus data centers em estados como Carolina do Norte, Iowa, Oregon, Arizona e Nevada.
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A companhia também abriu uma "Manufacturing Academy" em Detroit para treinar trabalhadores e gerar novos empregos, ao mesmo tempo em que reforça investimentos em pesquisa e desenvolvimento nas áreas de engenharia de chips, software e inteligência artificial.
O cenário ficou ainda mais instável quando a Suprema Corte dos Estados Unidos considerou inconstitucionais as tarifas impostas pelo governo Trump com base no IEEPA.
Depois da decisão, o ex-presidente voltou a aplicar uma tarifa global básica de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
Nesse contexto, o jornal The Wall Street Journal informou que a produção de servidores da Apple em Houston atingiu o ritmo de 10 unidades por hora.
A empresa fechou parceria com a Foxconn para montar essa linha de produção, que ainda é considerada de pequeno porte. A Apple também planeja fabricar o Mac mini na mesma unidade do Texas.
O computador tem vendas anuais em torno de 1 milhão de unidades, número relativamente baixo dentro do portfólio da empresa. Por isso, o produto é visto como uma forma de testar e aprimorar a produção dentro dos Estados Unidos.
A companhia ainda pretende transformar um galpão de cerca de 1.860 metros quadrados, nas proximidades da fábrica, em um Centro Avançado de Manufatura.
O espaço será usado para treinamento prático de estudantes, fornecedores e empresas americanas de diferentes tamanhos. A movimentação ocorre enquanto autoridades de inteligência dos Estados Unidos alertam sobre riscos envolvendo Taiwan.
De acordo com o jornal The New York Times, em 2023 o então diretor da Central Intelligence Agency, William J. Burns, e a diretora de inteligência nacional Avril Haines apresentaram um relatório a executivos de tecnologia, entre eles Tim Cook, Jensen Huang e Lisa Su.
No encontro, foi mencionado que a China poderia invadir Taiwan até 2027. Um eventual conflito na região afetaria diretamente a cadeia global de semicondutores.
A TSMC, principal fabricante de chips avançados do mundo, concentra grande parte de sua produção em Taiwan. Nos Estados Unidos, a empresa mantém uma fábrica em funcionamento no Arizona, com outra prevista para iniciar operações no próximo ano.
Uma terceira unidade no estado deve começar a operar apenas em 2030. Ainda assim, a estrutura americana está distante da escala existente em território taiwanês.
A ampliação da produção da Apple nos Estados Unidos ocorre em meio a tarifas comerciais e ao risco de um conflito envolvendo Taiwan, ponto central da indústria global de chips.
Ao investir em fábricas, fornecedores locais e treinamento de mão de obra, a empresa busca reduzir parte da dependência externa.
Mesmo assim, a capacidade instalada fora da Ásia ainda é limitada quando comparada à estrutura concentrada em Taiwan, o que mantém o setor atento aos desdobramentos geopolíticos.








