A Apple é conhecida por negociar preços baixíssimos com seus fornecedores, mesmo que isso comprometa o futuro deles.
As fabricantes de chips de memória conseguiram escapar dessa pressão graças à demanda gerada pelo boom da inteligência artificial.
Já a alemã Varta, fabricante de baterias, não teve a mesma sorte e agora fecha as portas depois de mais de um século de atividade.
Varta entra com pedido de insolvência após fim do contrato com a Apple
Depois de 130 anos de história, a Varta vai encerrar suas operações. Segundo reportagem da revista alemã Focus, a empresa sofreu um baque grande quando a Apple encerrou o contrato de fornecimento de baterias para os AirPods, mas esse não foi o único motivo.
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Custos em alta, uma expansão mal planejada e a dependência de um único cliente também pesaram na decisão.
Mais de um século fornecendo baterias, até a Apple sair de cena
Por mais de 100 anos, a Varta fabricou baterias pequenas usadas em aparelhos auditivos e em diversos produtos de consumo, incluindo os AirPods.
Como a Apple vende os fones sem fio em grande volume, a empresa alemã provavelmente esperava ter que ampliar a produção para dar conta das exigências da fabricante americana. Mas pouco depois da Varta investir nessa expansão, a Apple encerrou o contrato, em maio.
Fornecedor chinês assume o lugar da Varta e planta na Alemanha fecha
Um fornecedor chinês assumiu a parceria com a Apple no lugar da Varta. Com isso, a fábrica de baterias para AirPods em Nördlingen, na Alemanha, vai fechar ainda neste ano, com o corte de cerca de 350 vagas.
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A Varta tem hoje cerca de 3.000 funcionários no total, e a situação pode levar a novos cortes, além da venda de partes do negócio e uma reestruturação.
Falta de diversificação pesou contra a empresa alemã
Fechar contrato com a Apple tem vantagens, mas também riscos. E talvez o maior erro da Varta tenha sido não buscar outros clientes além da gigante americana.
A Apple, avaliada em mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,1 trilhões na cotação atual), provavelmente sabia da situação frágil da fornecedora, mas não usou seu caixa bilionário para ajudá-la a se manter no mercado.
Essa não é uma prática isolada da Apple. Em entrevista anterior, o CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, não citou a Apple diretamente, mas disse que um único cliente pressionou a fabricante de memórias a reduzir bastante os preços.
Isso limitou a capacidade da Micron de fazer investimentos estratégicos, mas o executivo disse que a empresa teve fôlego para lidar com esse cenário — algo que a Varta não conseguiu.
No caso da alemã, a combinação entre a postura dura da Apple nas negociações e a falta de planejamento da própria empresa levou ao fim de suas operações.
