Durante o Unreal Fest, realizado na semana passada em Chicago, a Epic Games anunciou a integração de ferramentas de inteligência artificial, como Claude e Gemini, ao Unreal Engine 5.8 e também ao futuro Unreal Engine 6.
A conexão será feita por meio de um servidor MCP, que possibilita aos desenvolvedores usar diferentes modelos de IA dentro da engine.
Como acontece com boa parte dos anúncios ligados à inteligência artificial, a reação da comunidade de desenvolvimento de jogos foi dividida.
Um dos principais pontos levantados foi o crescimento do chamado "AI slop", expressão usada para descrever conteúdos de baixa qualidade criados com IA.
- Leia tambem: CEO da Epic Games diz que Steam perde bilhões ao ficar sem Fortnite, jogos da Riot e Genshin Impact
Em entrevista ao IGN, o fundador, CEO e principal acionista da Epic Games, Tim Sweeney, reconheceu esse risco. Segundo ele, essa tendência pode ser comparada aos antigos "asset flips", jogos produzidos com poucos ajustes a partir de recursos prontos.
Para Sweeney, produções de baixa qualidade continuarão existindo, mas isso não muda o fato de que a IA pode acelerar o trabalho de equipes profissionais, tanto em estúdios independentes quanto em grandes empresas.
Epic quer dar liberdade para os desenvolvedores
Sweeney explicou que a evolução da inteligência artificial acontece em um ritmo muito rápido. Por esse motivo, a Epic decidiu não criar um modelo próprio de IA para o Unreal Engine.
Em vez disso, a empresa desenvolveu um servidor MCP para que os desenvolvedores escolham livremente a ferramenta que preferirem, como Claude, Gemini ou qualquer outro modelo compatível.
Segundo ele, novas funções surgem praticamente a cada uma ou duas semanas, com várias empresas competindo nesse mercado.
A ideia da Epic é dar suporte a essas opções e deixar que cada equipe escolha como integrar a inteligência artificial ao seu fluxo de trabalho para aumentar a produtividade.
Sweeney também comentou que a indústria de jogos sempre foi movida por equipes talentosas. Na visão dele, todas as gerações tiveram exemplos de jogos de baixa qualidade, desde títulos simplesmente mal desenvolvidos até os chamados asset flips.
Agora, esse cenário também inclui conteúdos produzidos de forma excessiva com IA. Ao mesmo tempo, ele acredita que profissionais experientes podem usar essas ferramentas para ganhar tempo em tarefas repetitivas.
Como exemplo, comparou essa mudança à transição da pixel art para o Photoshop e, depois, da produção de jogos em 2D para o 3D.
Na avaliação dele, a inteligência artificial ajuda a criar conteúdo com mais eficiência e reduz o trabalho manual em atividades complexas, como montar grandes Blueprints e localizar erros em projetos.
Epic não pretende criar um modelo próprio
Durante a entrevista, Sweeney citou dois fatores que influenciaram essa estratégia. O primeiro é que a Epic Games não possui recursos para desenvolver um grande modelo de IA próprio.
Por isso, optou por integrar soluções já existentes e também abrir espaço para que desenvolvedores adicionem modelos personalizados. O segundo ponto é que o uso dessas ferramentas precisa ser feito com equilíbrio.
- Leia tambem: Celulares Android podem rodar Counter-Strike 2 acima de 100 FPS com mod de refrigeração
Segundo ele, depender demais da inteligência artificial pode aumentar os custos do projeto, já que os preços cobrados pelo uso de tokens podem subir com o tempo. Por isso, eficiência será um fator importante.
Uso da IA continuará sendo opcional
A Epic Games reforçou que o uso da inteligência artificial no Unreal Engine será totalmente opcional. A decisão continuará nas mãos dos criadores.
Marcus Wassmer, vice-presidente executivo de desenvolvimento da empresa, explicou que o objetivo é usar a IA para reduzir tarefas repetitivas. Como exemplo, ele citou a análise das causas de falhas em um projeto.
Em vez de um engenheiro passar metade do dia investigando um problema, a IA poderia realizar essa etapa em cerca de 20 minutos e indicar a origem do erro. Assim, o profissional teria mais tempo para otimizar a engine, ajudar criadores de conteúdo ou executar outras atividades.
Hoje, parte das desenvolvedoras e editoras já utiliza IA em seus processos, enquanto outras seguem mais cautelosas. Ainda será preciso acompanhar os próximos anos para saber qual dessas abordagens ganhará mais espaço na indústria.
