A SpaceX deu mais um passo nos planos para expandir a rede Starlink. Em um documento enviado à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), a empresa pediu autorização para lançar até 100 mil satélites Gen3, também chamados de V3.
O pedido indica que a SpaceX está acelerando o desenvolvimento da terceira geração da constelação Starlink, que traz mudanças importantes em relação aos satélites atuais.
Satélites Gen3 serão maiores e ficarão em órbitas mais baixas
Os satélites Starlink Gen3 serão posicionados em órbitas muito baixas da Terra (VLEO), com altitude entre 323 e 327,5 km e entre 473 e 477,5 km, dependendo da camada orbital. As inclinações variam de 26° a 96,9°.
Cada unidade terá massa de até 2.000 kg, bem acima dos 575 kg dos satélites Gen2. Antes da chegada da nova geração, os satélites Gen2 já trouxeram avanços em relação aos modelos Gen1, incluindo:
- Aumento de até 20 vezes na capacidade de transmissão de dados.
- Suporte ao Direct-to-Cell, que conecta celulares comuns diretamente à rede de satélites.
- Maior capacidade de manobra em órbita e sistema autônomo para evitar colisões.
O que muda na terceira geração da Starlink
Segundo o documento enviado à FCC, os satélites Gen3 passam por uma reformulação completa em comparação com a geração anterior. Os testes já começaram antes da implantação em larga escala.
Entre as principais características estão:
- Nova arquitetura baseada no projeto Gen2.
- Peso de 2.000 kg por satélite.
- Operação em órbitas muito baixas (VLEO), próximas de 350 km.
- Capacidade de download até 10 vezes maior, chegando a 1 Tbps.
- Capacidade de upload até 22 vezes maior, entre 160 e 200 Gbps.
- Capacidade combinada de rádio e links a laser de aproximadamente 4 Tbps por satélite.
- Estrutura central maior, com antenas phased-array avançadas e painéis solares mais longos.
- Novos computadores e modems embarcados.
- Propulsores Hall movidos a argônio para manutenção da órbita.
- Tecnologias de formação eletrônica de feixes, direcionamento eletrônico do sinal, comunicação óptica entre satélites e controle dinâmico de potência para compartilhamento de espectro e redução de interferências.
Por causa do tamanho e do peso maiores, os satélites Gen3 só poderão ser lançados pelo foguete Starship, da própria SpaceX.
STARLINK: SpaceX filed FCC application SAT-LOA-20260630-00264 seeking authority to launch and operate up to 100,000 Gen3 NGSO satellites in two very-low Earth orbit shells at nominal altitudes of 323–327.5 km and 473–477.5 km with inclinations from 26° to 96.9°.
The system uses… pic.twitter.com/VaXcXYtBtp
— S.E. Robinson, Jr. (@SERobinsonJr) July 7, 2026
Rede usará diversas faixas de frequência
De acordo com o pedido enviado à FCC, a constelação Gen3 utilizará as bandas Ku, Ka, V, E, W e D, incluindo frequências de 10,7 a 13,4 GHz, 17,3 a 21,2 GHz e 37,5 a 42,5 GHz para download, além de diversas faixas de upload que chegam a 231,5–275 GHz.
Equipamentos atuais da Starlink precisarão de atualização
Com as mudanças previstas para a terceira geração, os terminais e antenas atuais da Starlink precisarão ser atualizados para aproveitar toda a capacidade de download e as velocidades na faixa de gigabit oferecidas pela nova constelação.
Além desse pedido para lançar 100 mil satélites Gen3, a SpaceX também enviou recentemente outro documento à FCC solicitando autorização para colocar em órbita até 1 milhão de satélites como parte de um plano relacionado a uma "civilização de nível Kardashev II". Os dois processos são independentes e, por enquanto, não têm ligação entre si.








