A Riot Games confirmou que o desenvolvimento ativo de 2XKO será encerrado em dezembro de 2026, menos de um ano após o lançamento completo do jogo de luta.
O rumo já parecia provável depois que a empresa demitiu metade da equipe responsável pelo projeto diante da perda de ritmo do game.
Os servidores continuarão online, e 2XKO seguirá gratuito no PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Depois de uma última atualização focada em correções de bugs, não haverá novos campeões, temporadas ou grandes pacotes de conteúdo.
O caso se soma às dificuldades da Riot em transformar projetos ambiciosos fora de League of Legends em jogos como serviço de longa duração.
É também um cenário recorrente nesse mercado. Até a Guerrilla Games teria decidido reformular Horizon Hunters Gathering após uma recepção negativa.
Segundo a Riot, a decisão sobre 2XKO veio dos números de retenção, que nunca avançaram para um nível sustentável, mesmo com a boa recepção de campeões como Akali, Senna e Thresh ao longo de 2026.
A empresa vai reembolsar todas as compras de KO Points e da Starter Edition feitas antes de 20 de agosto. Todos os campeões serão liberados gratuitamente, enquanto a maior parte dos itens cosméticos será reunida em uma compra única.
Lux e Samira serão os dois últimos campeões adicionados ao jogo, com lançamentos previstos para setembro e outubro, respectivamente.
- Leia também: Venda de jogos físicos despenca nos EUA e ajuda a explicar decisão da Sony sobre fim do discos
Depois disso, 2XKO entrará em modo de manutenção. O modo ranqueado, os Passes de Batalha e o conteúdo sazonal serão removidos por completo.
Riot estudou outras opções antes de encerrar o desenvolvimento
A decisão não foi tomada de forma repentina. A equipe avaliou reduzir o número de funcionários, mudar o ritmo das atualizações e reformular o modelo de negócios.
A conclusão foi que terminar o conteúdo já em produção e encerrar o desenvolvimento ativo seria o melhor caminho.
O encerramento gradual de 2XKO entra em uma sequência de recuos da Riot em projetos criados para ampliar sua atuação além dos jogos principais.
- Leia também: Phantom Blade Zero vende 300 mil cópias no Steam e alcança 73% do ritmo de Black Myth: Wukong
Em janeiro de 2024, a empresa demitiu 530 funcionários, cerca de 11% de sua força de trabalho, e encerrou a Riot Forge.
O selo de publicação independente era responsável por jogos solo derivados de League of Legends, como Ruined King, Convergence e Song of Nunu. A operação terminou após o lançamento de apenas seis títulos e cerca de cinco anos de atividade.
Legends of Runeterra também passou por uma reestruturação. O jogo de cartas digital chegou em 2020 para competir com Hearthstone e Magic: The Gathering Arena.
A Riot não cancelou o projeto, mas reduziu bastante a equipe e direcionou quase todo o foco para Path of Champions, modo voltado à experiência solo, depois de reconhecer que o desempenho do jogo ficou abaixo do necessário.
A parte competitiva em PvP perdeu prioridade pouco depois. Na mesma época, a Riot também cancelou de forma discreta a Riot Esports Network, plataforma de streaming planejada para competir com a Twitch, poucos dias após o anúncio das demissões.
Em junho de 2025, a empresa cancelou Hytale, RPG sandbox inspirado em Minecraft que havia sido adquirido em 2020. Meses depois, o projeto foi vendido de volta aos desenvolvedores originais. Hytale entrou em acesso antecipado em janeiro de 2026.
2XKO esbarrou na retenção de jogadores
A própria explicação da Riot aponta para um problema estrutural que já apareceu em outros projetos da empresa.
Um jogo gratuito e operado como serviço precisa manter uma base mínima de jogadores ativos para justificar investimento contínuo.
Nos gêneros de nicho, essa escala ficou abaixo do necessário quando comparada a League of Legends e Valorant.
A Riot reconheceu que os jogadores mais dedicados aos games de luta em dupla gostaram de 2XKO, mas boa parte do restante do público de jogos de luta não encontrou motivos suficientes para continuar jogando.
A empresa ainda pretende testar novos gêneros e disse que vai "voltar ao laboratório de P&D" antes de sua próxima tentativa.
Ainda assim, Riot Forge, a cena competitiva de Legends of Runeterra, Riot Esports Network, Hytale e agora o desenvolvimento ativo de 2XKO ficaram pelo caminho em um intervalo de cerca de dois anos e meio.
Fora de seus três principais títulos, o histórico recente da Riot segue instável. Pessoalmente, minha torcida é para que o próximo projeto não tenha o mesmo destino. O principal caso é o MMO de League of Legends, confirmado em 2020 e reiniciado em 2024.
Com exceção de Guild Wars 3, da ArenaNet, anunciado recentemente, ele é o único MMORPG triple A em desenvolvimento por um estúdio ocidental. Se a Riot acertar o projeto, o jogo pode ajudar a revitalizar um gênero em declínio.








