Nos últimos anos, jogos que eram exclusivos de PlayStation 4 e PlayStation 5, como God of War, The Last of Us, Marvel's Spider-Man e Ghost of Tsushima, também chegaram ao PC.
Porém, a Sony Interactive Entertainment mudou sua estratégia. Como confirmou o atual presidente da empresa, Hideaki Nishino, na semana passada, daqui para frente apenas jogos multiplayer e de serviço contínuo serão lançados na plataforma.
Shawn Layden, ex-presidente da divisão PlayStation e um dos responsáveis pela estratégia anterior, comentou recentemente que essa mudança pode ser um erro.
Segundo ele, levar jogos ao PC com um intervalo de cerca de 18 meses nunca prejudicou as vendas de consoles nem o valor da marca.
Estratégia ajudou a alcançar novos jogadores
Em entrevista ao canal PSI, Layden explicou que o objetivo era fazer as franquias da PlayStation chegarem a pessoas que dificilmente comprariam um console.
"Como fazer minha propriedade intelectual chegar a pessoas que normalmente não a conheceriam? Existem cerca de 250 ou 260 milhões de casas com consoles no mundo, mas há 8 bilhões de pessoas no planeta. Outros 2, 3 ou 4 bilhões jogam no PC, celular ou outras plataformas. Como chegar até elas?"
De acordo com ele, lançar os jogos no PC depois de um período também ajudou a aumentar o reconhecimento de personagens e histórias, algo importante para a expansão das franquias para outras mídias.
Layden explicou que, quando essas séries ganham filmes, programas de TV ou quadrinhos, mais pessoas já conhecem os personagens e demonstram interesse em acompanhar novas produções.
O bom desempenho da série de TV de The Last of Us é citado como um exemplo de que essa estratégia teve efeito.
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Portes para PC não tiraram vendas do PlayStation
Para Layden, a chegada dos jogos ao PC não prejudicou o PlayStation, como parte do público sugeria.
"Se alguém espera 18 meses para um jogo chegar ao PC, nós não perdemos essa venda. Essa pessoa não compraria o console de qualquer forma. Você apenas passa a ganhar dinheiro com alguém que estava completamente fora do seu ecossistema. Eu não vejo isso como uma desvalorização da marca, mas como uma forma de ampliar seu alcance."
Na visão do ex-executivo, manter um intervalo entre o lançamento nos consoles e no PC protegia o principal negócio da empresa e, ao mesmo tempo, gerava receita com um público que dificilmente compraria um PlayStation apenas por causa de um único jogo. A mesma ideia já havia sido comentada neste ano por Shuhei Yoshida.
Exclusivos ainda têm papel importante
Apesar de defender os lançamentos no PC depois de um tempo, Layden acredita que jogos exclusivos continuam sendo fundamentais para uma fabricante de consoles.
Segundo ele, os exclusivos diferenciam uma plataforma e incentivam a compra do hardware. Isso aumenta a base de usuários e também gera receita com jogos de outras empresas publicados no sistema.
Na avaliação do ex-presidente da PlayStation, lançar todos os jogos ao mesmo tempo no console e no PC faria a plataforma perder sua identidade.
Nesse cenário, a disputa passaria a girar principalmente em torno do preço, algo que, para ele, seria ruim para o negócio.
Comparação com a estratégia da Xbox
A declaração lembra a estratégia adotada pela Xbox nos últimos anos, em que praticamente todos os jogos exclusivos também passaram a ser lançados no PC no mesmo dia. Com isso, o console deixou de ser a única forma de jogar esses títulos.
O texto também cita que a Microsoft mudou de direção recentemente e voltou a investir em exclusivos de console, começando por Gears of War: E-Day, mas levanta a possibilidade de essa decisão ter chegado tarde demais para mudar esse cenário.
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Enquanto isso, a Sony demonstra seguir um caminho diferente. Jogos como Marvel's Wolverine e God of War: Laufey continuam planejados para os consoles PlayStation, mantendo os exclusivos como parte central da estratégia da empresa, mesmo com os aumentos de preço que colocam o modelo tradicional de consoles em debate.
